A Rocinha nunca foi diferente das demais favelas, sempre conviveu com a politica da ausência estatal nos quesitos moradia, saneamento básico, dentre outros. Não é de agora que os moradores lutam para terem direito à moradia e permanecerem em sua localidade sem o fantasma da remoção.

O crescimento populacional, seguido da necessidade de moradia, aguçou os moradores a serem mais criativos para superar a politica da ausência do Estado. A solidariedade entre os moradores para ultrapassar as dificuldades transformou-se em resistência e luta por direitos.

Os direitos básicos, previstos constitucionalmente e que deveriam ser de todo cidadão brasileiro, infelizmente, para moradores de favelas, só são reconhecidos após muita pressão por meio de mobilização, organização e lutas coletivas.

Os mutirões na Rocinha, por exemplo, eram estratégias utilizadas pelos moradores para se manterem na localidade, contribuindo para a melhoria da saúde, da consciência acerca do lixo produzido, não depositando-o em rios e valas. Tais mutirões, que começaram a surgir na metade da década de 70, possibilitaram reflexões sobre os direitos à coleta do lixo, à água encanada da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), à saúde, etc.

A organização dos moradores nos chamados mutirões contribuiu, inclusive, para a criação do primeiro Posto de Saúde na Favela da Rocinha, há 33 anos – o Centro Municipal de Saúde Dr. Albert Sabin.

Na foto abaixo, moradores fazem uma mobilização convidando a população para limpeza das valas, na região do Campo Esperança, nos anos 80. Observa-se em uma das faixas a frase “A vala é um problema de todos”. Nesta época, existiam casas de alvenaria e barracos em meio ao chão de barro. No fundo, mostra-se o topo de um prédio no bairro de São Conrado.

Moradores se mobilizam na década de 80 para a limpeza das valas. (Foto: Thierry Linard)
Moradores se mobilizam na década de 80 para a limpeza das valas. (Foto: Thierry Linard)

As mulheres foram fundamentais nos mutirões porque, enquanto os homens trabalhavam fora da favela, elas ficavam responsáveis por resolver problemas do cotidiano, como falta d’água, luz, enchentes e outros.

O grupo “Mulheres Voluntárias da Rocinha”, por exemplo, lutou por melhores condições de vida e contribuiu para que um maior número de moradores, em especial as crianças, pudessem ser vacinadas nas campanhas de vacinação.

Agradecimento

Nós, do Museu Sankofa Memória e História da Rocinha, agradecemos a todos, em especial às mulheres que lutaram e muitas que permanecem lutando para que todas as crianças tenham acesso a saúde e educação.

Assine nossa newsletter

Receba por e-mail informações sobre a maior favela do Brasil.

VOCÊ TAMBÉM PODERÁ GOSTAR

Atenção Básica à Saúde na Rocinha sofre com descaso da Prefeitura

Agente comunitário de saúde relata a dramática situação dos ACS

Britânico cria escola de inglês gratuita na Rocinha

Seja a mudança que você quer ver no mundo. Inspirado no pensamento…

O que podemos esperar da crise na saúde pública do Rio em 2020

Uma das maiores conquistas democráticas trazidas pela Constituição de 1988, aquela que…

Moradores da Rocinha vencem 3ª edição do Festival Brasileiro de Nanometragem

Sob aplausos da platéia, o vídeo “Anjos não falam” venceu o 3º…