Retrospectiva 2025: ano de muito trabalho e conquistas para o Fala Roça

Desde 2013, o Fala Roça nasceu para desafiar estereótipos e preconceitos, colocando os moradores e as soluções no centro de suas narrativas sobre a Rocinha

compartilhe!

O ano de 2025 foi longo…Passou rápido trazendo uma sensação de “aceleramento”. Foi um ano muito duro para muitos. No Fala Roça não foi diferente! O ano foi de muito trabalho para manter de pé nossa estrutura e ao mesmo tempo avançar na nossa missão de fazer jornalismo a partir da Rocinha. Promovendo a cultura, identidade e representatividade favelada sem romantizar as dificuldades. Assim, construindo narrativas mais humanas, com foco nas pessoas através do jornalismo de soluções que buscar provocar o diálogo urgente que precisamos fazer sobre políticas públicas no território. 

Desde 2013, o Fala Roça nasceu para desafiar estereótipos e preconceitos, colocando os moradores e as soluções no centro de suas narrativas sobre a Rocinha. De lá pra cá, nós nos formalizamos como uma organização sem fins lucrativos, estruturando nossa atuação a partir de quatro eixos: comunicação, educomunicação, pesquisa e preservação da memória da Rocinha. Produzindo todo dia a partir das nossas redes sociais, jornalismo digital e neste jornal impresso — que agora você segura nas mãos — Sankofa. Calma, que já explico o que é isso.

Equipe do Viradão Cultural da Rocinha, evento promovido pelo Fala Roça no ano passado

Sankofa é um conceito africano: um ideograma Adinkra dos povos Akan da África. San significa voltar e retornar, Ko (ir), Fa (olhar, buscar, pegar). É um provérbio representado por um pássaro que voa para frente (futuro), mas olha para trás (o passado), simbolizando o aprendizado com a história para não repetir erros. 

Fazer sankofa é se movimentar, mas retornar ao passado para adquirir conhecimento, buscando uma herança cultural dos antepassados para construção de um futuro melhor. 

Você já viu esse símbolo pelas ruas, vielas e becos do Rio de Janeiro, dentro ou fora da favela. Ele está pela cidade de forma realista ou estilizada, em um formato que lembra um coração. O símbolo foi deixado pelos ferreiros de pessoas escravizadas e/ou descendentes nas grades de muros, janelas e portas, formando a estrutura da casa. 

No Fala Roça, sankofa está presente em tudo que fazemos. Está na escolha do nosso nome, que reflete nossa herança e identidade. “Fala” simboliza o compromisso com a ampliação de vozes, enquanto “Roça” resgata a memória da Rocinha como uma grande fazenda, antes de se tornar a favela que conhecemos hoje. A ocupação histórica que deu origem à Rocinha é a mesma que impulsiona o Fala Roça a comunicar da favela para todos.

Em 2025, escrever, produzir e distribuir esse jornal impresso, criado para alcançar nossa população offline, foi uma das nossas principais metas. Ao longo do ano, foram 60 mil exemplares e através do nosso site e redes sociais entregamos 252 conteúdos e notícias. Além disso, produzimos eventos que movimentaram a Rocinha. O Viradão Cultural, a Conferência de Jornalismo nas Favelas e Periferias e o lançamento da Rede de Comunicação de Favelas foram momentos de celebrar a potência das favelas e do jornalismo comunitário. 

Fechamos 2025 e abrimos 2026 com uma nova edição impressa! Mais uma vez, a capa resgata o jornalismo popular dos anos 1970, com uma ilustração unindo memória e futuro aos desafios do próximo ano. Das ilustrações históricas às pautas de justiça tributária, mobilidade e acolhimento, seguimos celebrando a resistência e homenageando quem marcou nossas vidas.

Assine o Fala Roça

Receba as notícias por e-mail