
Gestora da Cia Livre de Dança da Rocinha vence prêmio de impacto social e participará da Brazil Conference
Selecionada na categoria Cultura em Ação, a artista está entre as duas representantes escolhidas no país para o evento nos EUA
A artista e professora de dança Ana Lucia Silva foi vencedora do Prêmio Impacto Social 2026, na categoria Cultura em Ação, pelo trabalho desenvolvido no projeto Bailarininhas do Amanhã, realizado na Cia Livre de Dança da Rocinha.
Como parte do reconhecimento, a artista foi convidada a participar presencialmente da Brazil Conference, evento que acontece nas universidades de Harvard e MIT, nos Estados Unidos, no fim de março. A conferência reúne brasileiros de destaque em áreas como tecnologia, ciência e cultura.

“É um grande painel cultural, um espaço importante de networking e debate sobre a cultura no Brasil. O que mais me motiva é o fato de eu ser da favela e estar lá representando o meu trabalho, o meu bairro e a potência da minha favela, a Rocinha”, conta a idealizadora do projeto.
A artista, professora e coreógrafa tem pós-graduação pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Na Cia Livre de Dança da Rocinha, desenvolve um trabalho de impacto social e cultural por meio da dança há 25 anos na favela.
A moradora destaca que o Bailarininhas do Amanhã foi reconhecido como uma iniciativa de impacto social, principalmente por promover a formação artística de crianças da favela. O projeto, voltado para a primeira infância, introduz as crianças ao universo da dança com uma abordagem lúdica, pedagógica e acolhedora, promovendo autoestima, disciplina e sensibilidade artística desde os primeiros anos.
“Eles entenderam o projeto como algo de grande impacto positivo, principalmente por trabalhar com crianças de 2 a 6 anos e formar uma nova geração dentro da arte”, afirma.
A diretora conta que essa conquista também é resultado do trabalho realizado no ano passado, quando a Cia Livre participou de diversos festivais e conquistou 18 premiações importantes, incluindo uma que levará a equipe de competição para a Europa ainda este ano.
“Já levamos grupos para a Disney, para Nova York e para a Argentina. Essa nova geração está tendo uma formação ainda mais ampla do que as anteriores.”
A gestora também destaca que a realidade da companhia é muito diferente de escolas de dança tradicionais.
“As nossas meninas competem com grupos grandes, de escolas ricas. Quando precisamos pagar uma taxa de festival, fazemos rifa para conseguir o dinheiro. Quando subimos no palco, subimos com a convicção de que precisamos trazer resultado, porque tem muita gente acreditando na gente.”, enfatiza.
Hoje, a companhia busca ampliar parcerias para participar de apresentações dentro e fora do Brasil.
“Isso já ajuda muito, porque conseguimos circular pelos festivais. Agora estamos buscando também parcerias com grandes empresas que queiram associar suas marcas ao projeto”, finaliza a professora.





