Aulão da história da Rocinha reúne mais de 50  pessoas na Biblioteca C4

Promovida pelo Fala Roça, a aula destaca a qualificação de guias e a preservação da memória local

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O Fala Roça, em parceria com o Na Favela Turismo, realizou um aulão sobre a história da Rocinha, na última quinta-feira (26), voltado para profissionais do turismo, pesquisadores, moradores e estudantes, na Biblioteca Parque da Rocinha C4.

Apesar de ser uma das favelas mais pesquisadas do século XX, como aponta o estudo “Pensando as Favelas do Rio de Janeiro”, ainda há poucos materiais aprofundados e acessíveis sobre a história da Rocinha voltados para os próprios moradores. Por isso, o Fala Roça oferece gratuitamente a aula para quem se interessar.

Michel Silva, jornalista, pesquisador e mordador da Rocinha. Foto: Joelma Silva

Com o crescimento do turismo na Rocinha e o surgimento de jovens guias ainda em formação, investir na qualificação do guiamento é uma oportunidade para que a história local seja preservada e disseminada por quem vive a favela, contam os jovens profissionais.

“Aqui, encontro um conhecimento sobre a Rocinha que não achei em nenhum outro lugar, pois a fonte são moradores, com vídeos, fotos. A aula me ajuda a ter mais propriedade no que eu falo no meu trabalho”, diz Gabriela Dias, 23 anos, guia de turismo e moradora do Parque da Cidade. Ela já participou da aula quatro vezes.

Mais de 50 pessoas participaram do encontro, que contou com distribuição de certificados e intérpretes de libras. O público foi diverso, reunindo não apenas moradores da Rocinha, mas também pessoas de outros territórios, como Parque da Cidade, Estácio, Cantagalo. 

Em menos de 2 horas e meia, os ingressos já esgotaram e muitas pessoas demonstraram interesse pela liberação de mais vagas, já que é um tema que desperta o interesse em muitas pessoas.. 

Sendo a maior favela do país, a comunidade segue como ponto de moradia para quem chega à cidade grande em busca de oportunidades, vindo de diferentes regiões do Brasil. 

Mas muitas pessoas não conhecem profundamente o lugar onde vivem nem o processo histórico que deu origem à comunidade.

“Não é só sobre contar a história da Rocinha, mas também sobre preservar a memória local, que muitas vezes é distorcida pela mídia”, explica Michel Silva,  jornalista e pesquisador que oferece a aula desde 2022. 

A história do encontro 

A aula se destaca pelo conteúdo consistente, abordando a história da Rocinha entre 1900 e 2000, e tem chamado a atenção de coordenadores de equipamentos públicos, como clínicas, CAPS e unidades educacionais, incluindo o Espaço de Desenvolvimento Infantil Professora Edir Caseiro Ribeiro, com o objetivo de contribuir na atuação dos profissionais, que vêm de fora para trabalhar com a população do morro..

A aula é realizada pelo Fala Roça desde 2022, de forma mensal, contribuindo para a valorização da memória local e para a formação de agentes comprometidos com uma narrativa mais consciente sobre a favela, que passou por diversos momentos de lutas sociais, ocupações e estigmatização por parte do governo e da mídia. 

O encontro também simboliza a consolidação de parcerias que ampliam o espaço e o público da aula, com apoio do Na Favela Turismo, Escola de Música da Rocinha e da Biblioteca C4.

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