Mofo nas casas afeta saúde de moradores e expõe falta de saneamento na Rocinha

O mofo faz parte da realidade de muitas famílias da Rocinha. Presente em paredes, tetos e móveis, o problema vai além da aparência das casas e pode afetar diretamente a saúde dos moradores

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‘Precisei sair às pressas com minhas três filhas. Perdi todos os meus móveis e chorei muitas vezes sem saber o que fazer’, conta moradora

O mofo faz parte da realidade de muitas famílias da Rocinha. Presente em paredes, tetos e móveis, o problema vai além da aparência das casas e pode afetar diretamente a saúde dos moradores. Com a chegada do inverno e o aumento das chuvas, a umidade se intensifica e torna ainda mais difícil conviver com infiltrações e ambientes pouco ventilados.

A enfermeira Girlene Pandine afirma que o problema é comum em diversas regiões da comunidade e está diretamente relacionado às condições de moradia. Segundo ela, a falta de saneamento básico, a presença de valas e a proximidade entre as construções favorecem infiltrações e o surgimento do mofo.”A maioria das casas da Rocinha tem mofo. Tem pessoas que se mudam por conta do mofo.”

Muitas famílias tentam resolver o problema pintando as paredes ou utilizando produtos antimofo, ela diz. No entanto, quando a origem da umidade não é identificada, a situação tende a se repetir. Em alguns casos, o vazamento responsável pelo mofo pode estar até mesmo em imóveis vizinhos.

Seja por infiltrações ou épocas de chuva e frio intenso muitas casas na favela sofrem com bolor e mofo.
Foto: Brenda Coelho | Fala Roça

Uma moradora que preferiu não se identificar conta que os primeiros sinais apareceram cerca de um mês após se mudar para a casa onde vivia com as três filhas.

O que começou nos quartos logo se espalhou para outros cômodos. Com o passar do tempo, a família passou a conviver não apenas com as paredes tomadas pela umidade, mas também com problemas de saúde.”Minhas filhas viviam na UPA com problemas respiratórios.” As crianças apresentavam crises frequentes de alergia, sinusite e tosse seca, conta a moradora. A situação se agravou a ponto de a família precisar deixar o imóvel. “Eu tive medo. Precisei sair às pressas com minhas três filhas. Perdi todos os meus móveis e chorei muitas vezes sem saber o que fazer.”

Hoje, vivendo em outra residência, a moradora afirma que a situação é diferente. Segundo ela, a casa atual é mais arejada, conta com melhor circulação de ar e não apresenta os mesmos problemas de umidade e infiltração. Com a mudança, os sintomas respiratórios da família diminuíram significativamente.

“Tem pessoas que nem janela têm”, ressalta a enfermeira. De acordo com o Ministério da Saúde, ambientes úmidos favorecem a proliferação de fungos e outros agentes que podem desencadear alergias, agravar crises de asma e causar sintomas respiratórios, como tosse e falta de ar. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis.

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