
Encontro na Rocinha debate prioridades do PAC 2, e moradores cobram saneamento como eixo principal
Reunião ocorreu na parte alta com cerca de 60 pessoas, entre moradores, associação, projetos sociais e representantes do Instituto Pereira Passos
Na última quarta-feira, 4, o Secretário Municipal de Coordenação Governamental, Edson Menezes, e lideranças comunitárias da Rocinha discutiram as prioridades do Programa de Aceleração de Crescimento 2 (PAC 2), no Mirante Rocinha. O encontro antecede a visita do Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que fará a divulgação do projeto no próximo sábado, 7.

O orçamento previsto para o programa é de cerca de R$ 350 milhões. Lideranças locais, no entanto, consideram o montante insuficiente diante das demandas históricas da favela e cobram uma definição urgente das prioridades e um projeto detalhado para orientar as obras.
A proposta é manter uma conversa permanente com a favela, garante Edson Menezes, para viabilizar o projeto. Como referência para o novo programa de urbanização, foi citado o Plano Diretor da Rocinha, construído com participação popular.
Lideranças locais, por sua vez, reforçaram que esse diálogo precisa ocorrer antes do início das obras e não apenas durante a execução. “Nós estaremos fiscalizando a obra até o final”, afirmou Bosco, presidente da Associação de Moradores.
Entre os consensos do encontro que reuniu 60 pessoas, o saneamento básico apareceu como prioridade absoluta. “Em primeiro, segundo e terceiro lugares: saneamento”, resumiu o secretário Edson, reforçando o entendimento da maioria das falas.

Ainda durante a reunião, moradores relataram experiências pessoais para reforçar a urgência do tema. “Morei a vida inteira no valão. Em dia de chuva, faltava aula porque a água de esgoto batia no joelho. Saneamento é prioridade porque, quando o político vem, até o chão lavam pra ele passar”, disse Fabiana Rodrigues, representante da página Rocinha em Foco.
Wallace Pereira, ex-presidente da região administrativa, criticou como projetos anteriores foram conduzidos, sem escuta da favela. Ele citou os problemas atuais de odor de esgoto e alagamentos no complexo esportivo, alertados previamente pelos moradores, mas ignorados. “Agora quem sofre somos nós.”
Outras lideranças lembraram que o PAC 1 deixou muitas lacunas, apesar de alguns avanços, e que o PAC 2 sequer saiu do papel. “Tem projeto, mas cadê o desenho? Sem diálogo entre governos, as obras não andam e não são finalizadas”, afirmou Roberto Lucena, coordenador do Rocinha Sem Fronteiras.
A transformação dos becos também foi pautada. Tio Li, liderança comunitária da Cachopa há mais de 30 anos, destacou a necessidade de pensar a mobilidade de pessoas com deficiência e idosos, especialmente na região da Cachopa.
Apesar das críticas, o PAC, tanto na Rocinha quanto na Maré, frisam as lideranças, é fruto de lutas históricas e reivindicações populares. “A participação de vocês impede que qualquer político esqueça esse território”, destacou Edson.
Ao fim do encontro, ficou estabelecido, entre o poder público e a favela, o compromisso de ampliar o diálogo e garantir que o morro tenha voz ativa desde a criação até a fiscalização das obras. A próxima agenda está marcada para sábado, às 10h, na quadra da Acadêmicos da Rocinha, com a presença do prefeito Eduardo Paes, do vice-prefeito Eduardo Cavaliere e da secretária de Meio Ambiente e Clima, Taina de Paula. O evento será aberto à população.





