Em uma iniciativa para promover um diálogo entre associações, coletivos e ONGs que atuam nas periferias e favelas, o Ministério da Saúde, em colaboração com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, lança o Primeiro Encontro Nacional de Observatórios de Saúde nos Territórios de Periferia. O evento, que começa hoje e vai até domingo (23), ocorre no Rio de Janeiro.

O encontro procura reunir experiências inovadoras em políticas públicas voltadas para as periferias e favelas, analisando seus impactos políticos, sociais e econômicos. O Ministério da Saúde, através da Assessoria Especial de Saúde com Periferias, busca promover políticas igualitárias que respeitem as diversidades territoriais, valorizando o conhecimento local e enfrentando vulnerabilidades, violências e desigualdades sociais.

Convidados participam de atividades no Encontro Nacional de Observatórios de Saúde nos Territórios de Periferia. Fotos: Igor Evangelista/MS

Valcer Fernandes, Assessor Especial para Territórios do Ministério da Saúde, destacou a importância do evento para a avaliação das prioridades e programas do Ministério a partir da perspectiva das áreas mais vulneráveis. “Esse evento de observatórios de saúde na periferia tem uma importância fundamental para que o Ministério possa avaliar as suas prioridades, avaliar os seus programas a partir de uma ótica voltada para esses territórios, principalmente esses territórios mais vulnerabilizados e que sofrem com a violência, sofrem com a falta de saneamento, sofrem com muitas vezes um déficit de políticas públicas de uma maneira mais geral,” afirmou Fernandes.

Além disso, o evento visa ampliar a capilaridade do Sistema Único de Saúde (SUS) nas populações mais vulneráveis, que necessitam de respostas eficazes das políticas públicas. Durante o encontro, será lançado o Mapa de Potencialidades das Periferias, uma plataforma desenvolvida em parceria com a Fiocruz. A ferramenta tem o objetivo de identificar as potencialidades das periferias brasileiras que podem contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades.

O Mapa de Potencialidades das Periferias reúne informações de mais de 10 mil periferias urbanas de todos os estados do Brasil. Usuários poderão localizar diversos empreendimentos periféricos nas áreas de saúde, assistência social, educação e pesquisa, meio ambiente e proteção animal, cultura e recreação, religião, habitação, desenvolvimento e defesa de direitos humanos, associações patronais, profissionais e entidades de produtores rurais, além de comércios locais.

Fernandes também enfatizou a necessidade de um enfoque específico para essas comunidades vulnerabilizadas. “Essas comunidades vulnerabilizadas têm essa necessidade de um foco mais direcionado para que a gente possa enfrentar as doenças que, na verdade, mas atingem essas populações e fazer promoção da saúde,” explicou. Ele mencionou ainda a relevância de discutir doenças de veiculação hídrica e outras doenças negligenciadas sob o foco do programa Brasil Saudável, sempre com um olhar atento às periferias.

A iniciativa visa incentivar a disseminação de experiências positivas, destacando a criatividade, resiliência e capacidade de socialização das comunidades periféricas. O próximo passo será incluir as periferias rurais localizadas em territórios do Campo, Floresta e Águas, abrangendo comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas.

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