Moda com Quimonos

Projeto Rocinha UP reaproveita materiais do jiu-jítsu para produzir acessórios com produção baseada em economia circular

Projeto Rocinha UP reaproveita materiais do jiu-jítsu para produzir acessórios com produção baseada em economia circular

Quimonos que antes seriam descartados agora ganham novas formas pelas mãos de costureiras na Rocinha. Mochilas, pochetes, ecobags, necessaires e cases para notebook estão entre os primeiros produtos desenvolvidos pelo Rocinha UP, projeto que utiliza materiais do jiu-jítsu e resíduos têxteis para criar peças a partir do conceito de upcycling.

O upcycling é uma forma de reaproveitar materiais que seriam descartados, transformando-os em novos produtos, muitas vezes, com uma função diferente da original. No contexto do Rocinha UP, em vez de jogar fora um quimono que não serve mais para uso nos treinos, por exemplo, o tecido é aproveitado para produzir uma nova peça. Assim, o material permanece em uso por mais tempo, reduzindo o descarte e ganhando um novo valor. A proposta também aparece no nome do projeto, a sigla “UP” significa”Urgente Preservar”. 

A iniciativa foi idealizada pela designer Paula Maia, em parceria com o professor de artes marciais Paulo Cunha, gestor da Escola de Jiu-Jitsu Lapidar, e pretende estabelecer dentro da própria comunidade as diferentes etapas da cadeia de produção. Costureiras, modelistas, pilotistas, designers e outros profissionais participam da transformação de materiais que seriam descartados em novos produtos.

“O quimono do jiu-jitsu é um quimono muito rico que, por mais que a gente utilize por muitos anos, ele ainda dá para se aproveitar. Quando ele fica muito desbotado, meio puído, é que ele fica sem direção. Eu como gestor da Lapidar, vi que a gente estava com um material rico e que não teria como reutilizar”

Paulo Cunha gestor da Escola de Jiu-Jitsu Lapidar

Para chegar ao produto final, no entanto, é necessário adaptar um material originalmente produzido para outra finalidade. Rita de Cássia, de 60 anos, é costureira, modelista e pilotista e participou do desenvolvimento das peças. Segundo ela, antes de um quimono se transformar em um acessório, há um processo que envolve modelagem, costura, adaptação dos tecidos e combinação com ferragens e outros materiais. As decisões precisam ser discutidas e testadas até que a ideia possa, de fato, ser transformada em uma peça.

As cinco primeiras criações apresentadas pelo projeto foram mochila, pochete, ecobag, necessaire e capas para notebook. A intenção é ampliar a coleção para dez produtos, que posteriormente serão comercializados pela plataforma digital do Rocinha UP.  Para Rita, cada peça produzida carrega também a história do material que lhe deu origem e que ganha outro significado justamente por carregar uma trajetória anterior.

Rita de Cássia, modelista e costureira mostra como funciona o passo a passo da customização.
Foto: Divulgação

“Cada trabalho que fizemos é um filho que nós temos, foi maravilhoso, é um trabalho lindo, ainda mais com história.Quando você tem uma história dentro do produto, vira outra outra vibe”, frisa Rita.

Para garantir matéria-prima para as próximas produções, o projeto iniciou uma campanha de arrecadação de quimonos usados. A proposta é formar uma rede com academias para recolher peças que já não são utilizadas nos tatames e direcioná-las à produção.

● Sede Rocinha Up – Rua José Belmiro de Souza 25 – Rocinha

● Escola Jiu Jitsu Lapidar – Travessa União do Bairro Barcelos 24 – Rocinha

● Nova Geração – Av. Bartolomeu Mitre 808 B – Leblon 

● Tata Fight Team – Prefeito Dulcídio Cardoso 3007 – Barra da Tijuca

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