O Verão é a estação do ano no qual ninguém consegue encontrar o empresário Luiz Ferreira Gomes Filho em casa. O local mais certo de ser encontrado nos últimos anos é nas areias da Praia de São Conrado, vendendo batidas de bebidas com ou sem álcool. Aos 42 anos, o Johnny Batidas, como se tornou conhecido, é cortejado pelas criações de coquetéis.

Cria da Rocinha, Luiz Ferreira virou barman após fazer um curso de coquetelaria. Durante um tempo, trabalhou como garçom em 3 estabelecimentos diferentes, entre eles o badalado restaurante Alessandro & Frederico, em São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro. 

Além da venda na praia, a parada é certa no Bar do Johnny, na Estrada da Gávea, esquina com a Via Ápia. Sentado numa cadeira de praia de frente para a rua, o comerciante abre a loja de segunda a sexta, das 20h às 4h. Vira e mexe Johnny dá uma dose de cortesia para saudar quem passar: ”Às vezes o cara passa por aqui 4h da manhã indo trabalhar e até se assusta, porque eu estou virado trabalhando, mas não deixo de dar um bom dia, boa noite para qualquer um”, diz ele explicando que é cortesia . 

O espaço onde hoje funciona o bar foi apresentado por um amigo que trabalhou com ele na década de 90. A única exigência do dono do estabelecimento era que Johnny não transformasse o local em mais um ‘point’ de forró no morro. Dito e feito. O comerciante trouxe uma pegada mais jovem com ritmos eletrônicos, além de rock e funk para o local, sendo um diferencial na Rocinha.

Para cativar seus clientes e atrair mais gente, logo tratou de elaborar novas bebidas e sair um pouco dos clássicos. Atualmente, no cardápio de Johnny têm mais de 100 sabores diferentes de batidas. Até reinventou os clássicos, como a batida de morango que todo mundo ama, entretanto, com uma pitada a mais de maracujá e outros segredos. Agora a bebida é conhecida como “danoninho” por quem consome na praia ou no seu bar, em referência a uma marca de iogurte voltado para o público infantil. A batida de blueberry com limão é outro coquetel bastante pedido. 

“Vai fazer 3 anos que estou vendendo minhas bebidas na praia. No verão saí muitos pedidos e no bar também não paro. Mas hoje em dia eu preciso fechar meu bar umas 4h da manhã para descansar e recuperar as energias para fazer a venda das batidas na praia.”, diz Johnny. 

Em média, ele vende 40 litros das batidas na praia, o equivalente a 80 garrafas de 500ml cada. No bar, a quantidade diminui, porém a clientela é fiel. Com o negócio afetado na pandemia de covid-19, Johnny segue firme fazendo entregas pelo delivery. Ele também revenda seus produtos para estabelecimentos, eventos e festas.

Aberto há 16 anos, o empresário quer voltar a crescer. “Quero voltar ao padrão de vendas que era antes da pandemia e o carnaval promete muita saída. Vou me preparar para isso”.

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