“Nenhuma dessas obras é prioridade enquanto o saneamento básico não for tratado como eixo central de investimento”, diz Associação de Moradores da Rocinha em comunicado

A luta dos moradores da Rocinha por obras de saneamento básico já completou 100 anos, segundo a associação de moradores.

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A União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha publicou, neste sábado (28/2), uma carta em suas redes sociais defendendo o saneamento básico como prioridade inegociável. A manifestação ocorre semanas após o prefeito do Rio, Eduardo Paes, apresentar, em 7/2, o projeto das obras do PAC Periferia Viva na quadra da Acadêmicos da Rocinha. Cerca de mil moradores e lideranças comunitárias acompanharam o anúncio das intervenções previstas para a favela.

Duas semanas depois, em 23/2, a Prefeitura do Rio de Janeiro publicou o Decreto Rio nº 57.556, que declara de utilidade pública, para fins de desapropriação, o terreno do antigo prédio da Oi, na Estrada da Gávea, no Largo das Flores, na Rocinha. A área, onde funcionou uma unidade da empresa de telefonia, será destinada à implantação do novo Terminal Intermodal da Rocinha, obra prevista no PAC Periferia Viva.

O PAC Periferia Viva é uma iniciativa do Governo Federal do Brasil, por meio do Ministério das Cidades, em parceria com a Prefeitura, com execução a cargo da Secretaria Municipal de Infraestrutura.

Segundo o Diretor de Projetos e Relações Institucionais da UPMMR, William de Oliveira, a carta é fruto do movimento do presidente João Bosco e de sua diretoria que perceberam a divulgação de várias informações de obras para a Rocinha.

“A Associação de Moradores entende que o primordial da Rocinha é o saneamento básico e é uma luta desde 1910. Desde 1900, na verdade. São 100 anos de luta por uma bandeira importante, o saneamento. Fizemos essa nota reafirmando o compromisso da Associação de Moradores cobrando as instituições governamentais, que a nossa prioridade será e continuará sendo o saneamento básico. Porque no PAC 1 tinha essa prerrogativa, não se constrói nada enquanto não priorizar o saneamento, e assim, não vamos deixar que os governantes errem pela segunda vez.”, explicou William de Oliveira.

Leia o comunicado da UPMMR

A Associação de Moradores da Rocinha vem a público reafirmar, com clareza e responsabilidade, aquilo que sempre foi nossa posição histórica: a prioridade absoluta da Rocinha é SANEAMENTO BÁSICO. Desde o primeiro momento em que iniciamos o diálogo com o Ministério das Cidades, com o programa Periferia Viva e com a Secretaria Nacional das Periferias, deixamos registrado de forma inequívoca: a luta da Rocinha é por saneamento.

Não se trata de uma pauta recente.
Não se trata de um discurso eleitoral.
Não se trata de disputa política.

Trata-se de uma luta histórica que atravessa gerações. Desde o início do século passado, a Rocinha sofre com a ausência de infraestrutura sanitária adequada. Estamos falando de mais de cem anos de negligência estrutural.

Hoje, representamos cerca de 200 mil moradores. Somos uma cidade dentro da cidade. E não aceitaremos que investimentos públicos ignorem aquilo que é básico, essencial e inadiável. A Prefeitura iniciou a divulgação de diversos projetos: intervenções viárias, reorganização do transporte urbano, melhorias na entrada da comunidade e outras propostas complementares. É importante afirmar com serenidade, mas com firmeza:

Nenhuma dessas obras é prioridade enquanto o saneamento básico não for tratado como eixo central do investimento.

Não se constrói mobilidade sobre esgoto a céu aberto. Não se fala em requalificação urbana com drenagem insuficiente. Não se anuncia desenvolvimento com lixo acumulado nas vielas.

Saneamento básico não é obra invisível. É saúde pública É prevenção de doenças. É redução de gastos hospitalares. É dignidade humana.

Quantas crianças ainda precisarão adoecer?

Quantas famílias ainda precisarão conviver com leptospirose, doenças de veiculação hídrica e outras enfermidades causadas pela ausência de infraestrutura?

Nosso sonho é simples e profundamente simbólico:

Queremos que a Rocinha pare de encher as emergências do Hospital Miguel Couto por doenças evitáveis.

Queremos fechar, de forma social, a porta das internações causadas pela falta de saneamento.

Isso não é utopia. Isso é planejamento. Isso é política pública séria.

Dos recursos anunciados aproximadamente R$ 350 milhões de reais defendemos que 100% sejam inicialmente destinados ao saneamento básico: abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem pluvial e gestão estruturada de resíduos sólidos. Somente após garantir a infraestrutura sanitária é adequada é que os demais projetos complementares devem ser executados.

Não aceitaremos a inversão de prioridades. A Associação de Moradores da Rocinha tem responsabilidade institucional. Não falamos por interesse individual. Falamos por uma população inteira que vive diariamente as consequências da ausência de saneamento. A Rocinha não precisa de maquiagem urbana.

Precisa de infraestrutura real. Não precisamos de obras que apareçam na foto. Preicsamos de obras que mudem a vida.

Reafirmamos nosso compromisso de acompanhar, fiscalizar e mobilizar a sociedade para garantir que o PAC Periferia Viva cumpra sua missão histórica.

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