
Projeto idealizado por passistas mantém viva a tradição do samba no pé dentro do morro
Criado em 2021 por Tati Rosa, ex-rainha de bateria da Acadêmicos da Rocinha, o projeto atrai diferentes públicos em busca de valorização cultural
Na Rocinha, o samba no pé não é apenas espetáculo no carnaval. É show durante o ano inteiro, pois é parte da identidade da favela. Um exemplo disso é o projeto Samba à Vista. Criado em 2021 por Tati Rosa, ex-rainha de bateria da Acadêmicos da Rocinha, o projeto se firmou como um importante espaço de valorização cultural e de protagonismo local.

Realizadas na quadra do Acadêmicos da Rocinha, as aulas atraem um público diversificado: jovens em busca de suas raízes, mulheres que encontram na dança uma poderosa forma de expressão e, até mesmo, pessoas de fora da comunidade interessadas em aprender a sambar com quem vive diariamente a cadência do samba.
“O projeto é totalmente sobre a nossa identidade. Ele mostra o nosso jeito de sambar, de se expressar, de viver a cultura. É a nossa voz sendo ouvida. Quando a gente ensina e compartilha o que é nosso, a gente valoriza a Rocinha. Mostra que daqui também sai coisa boa, linda, com verdade. Isso fortalece a comunidade e faz todo mundo se reconhecer com mais orgulho”, conta Lelê Martins, instrutora do projeto.

Entre os alunos, as trajetórias revelam diferentes formas de conexão com o samba. Nathália Lira, de 36 anos, moradora da Rua 2, participa do projeto desde a fundação. O que começou como uma prática de atividade física experimentando algo novo, transformou-se em uma jornada dentro do carnaval. “É uma experiência incrível! A Tati, além do samba, tem outras danças no seu currículo no qual ela consegue introduzir tudo no samba”, comenta.
Nathália se aprimorou e hoje é passista do Acadêmicos da Rocinha, sendo uma das representantes da favela no carnaval de 2026.
Já Ana Carolina Lopes, de 20 anos, veio de Santa Catarina para o Vidigal, e diz ter encontrado no Samba à Vista um espaço de acolhimento e valorização pessoal. Nas aulas, ela se inspira em sambistas que conheceu dentro da própria comunidade. “A rainha, principalmente, é uma grande referência pra mim, porque além de ensinar a técnica, ela passa energia, confiança. Dá vontade de evoluir cada vez mais!”.
“O samba valoriza muito a mulher preta, o nosso corpo, nossa história. Isso mexe muito comigo e fortalece minha autoestima. Não é só aprender passos, é também sobre se sentir bem, se sentir livre e empoderada”, conta Ana.
Musa da Imperatriz Leopoldinense, Tati Rosa, ressalta que o projeto busca ser um “pontapé inicial” tanto para aqueles que almejam viver o samba e o carnaval em uma escola de samba, quanto para a melhoria da qualidade de vida. Ela destaca que “as aulas proporcionam acolhimento, bem-estar físico, socialização, empoderamento e superação, incentivando os participantes a refletirem sobre sua identidade e ambições”.
Para participar das aulas de samba no pé, basta entrar em contato pelo canal de mensagens do perfil do projeto no Instagram ou comparecer no horário marcado das aulas. As atividades Samba à Vista são totalmente gratuitas e acontecem às segundas, 20h, na quadra do Acadêmicos da Rocinha.





