Ter um convívio saudável dentro de casa é um dos aspectos mais importantes na vida e isso ficou ainda mais evidente durante a pandemia. A harmonia da casa demanda um esforço coletivo entre todos os companheiros, família, aqueles com quem convivemos de perto. Faça uma reflexão: como está a situação da saúde mental dentro da sua casa nesse momento?

Fomos obrigados nos a adaptar e conciliar rotinas de uma hora para a outra. Para muitos pode não ter sido da forma mais confortável, mas sim a que era possível. 

A Rocinha passou muitos dias com o comércio parcialmente fechado no início da pandemia. A circulação de pessoas foi bem menor do que de costume. Mesmo assim, víamos várias pessoas na rua, algumas eram e ainda são, obrigadas a trabalharem sem garantias de cuidados com as vidas.

A favela, que já sofre com vários tipos de carências, sente ainda mais os efeitos do covid-19. É nítido que a favela foi mais afetada do que os bairros vizinhos. Moradores perderam empregos, muitos não conseguem se sustentar, outros são obrigados a trabalhar para que consigam manter a família. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, os efeitos no país atingiram mais as famílias de menor renda, que ganham até R$ 2.100: 20,6% delas foram afetadas. Outros trabalhadores tiveram redução salarial proporcional à jornada de trabalho, contrato de trabalho suspenso ou foram demitidas.

Somado a isso, reportagem do Fala Roça revelou que as mulheres são as mais impactadas pela pandemia com base nas doações de cestas básicas feitas pelo jornal. As crianças também estão mais expostas à violência. Relatório da Ouvidoria da Defensoria Pública do Estado mostra que 42% disseram ter conhecimento de casos de violência doméstica contra crianças na pandemia. 

A vida em diante

O “novo normal” traz uma nova configuração familiar na favela desde as falas controversas de Jair Bolsonaro e as medidas de flexibilização de Crivella e Wilson Witzel. Uma parcela dos moradores seguiu de forma rígida o isolamento social. Outras fizeram o possível para cuidar da saúde. Algumas não levaram a sério, muitas não tinham o conhecimento da gravidade da doença, e por isso continuaram seguindo seus hábitos normalmente. 

Como essas pessoas que pensam e agem de formas tão diferentes conseguem conversar e conviver de forma saudável no mesmo ambiente? Como essa situação afeta a saúde física e mental das pessoas que vivem em casas, em sua maioria, de apenas dois ou três cômodos e cheias de limitações? 

É visível que a saúde mental das pessoas foi afetada, e isso se reflete muito na saúde física. A situação gera muitos problemas como o aumento e o surgimento de casos de pessoas com ansiedade, síndrome do pânico, depressão; gente que começou a ter dores musculares como resposta ao estresse, casos de violência doméstica, insônia, etc. 

As discussões recorrentes, os desentendimentos, a falta de diálogo refletem também na favela. Muitos não aguentam esse estresse dentro de suas casas e acabam indo pra rua, inclusive assumindo o risco de pegar o vírus e contaminar outras pessoas. 

Monalisa Rodrigues, moradora do Valão, tem dois filhos, um de 20 anos, e uma filha de 21. A mais velha passa a maioria dos dias em Niterói, pois começou a trabalhar em um hospital que atendia pessoas com covid e ficou afastada de sua mãe por segurança. Monalisa explica a situação da família: 

“Minha filha já não ficava muito em casa, ela trabalha em um hospital lá em Niterói, já meu filho ficava entrando e saindo toda hora. Eu ficava com muita raiva, pra ser sincera. Eu estava tomando todos os cuidados e ele saindo sem necessidade. No começo eu ficava em pânico, toda hora limpando a casa. Tomo todos os cuidados quando preciso ir na rua. Depois de tanto tempo em casa, ficava até assustada com as motos quando saia. Fiquei desgastada emocionalmente, tinha falta de sono, meu cabelo caiu. Fiquei muito ruim, tive mal estar, enxaqueca, dores de cabeça, ansiedade. Depois isso diminuiu. Ficava preocupada. Se a pessoa pegar, só Jesus na causa. Vamos parar em hospital público, somos atendidos de qualquer jeito, só mandam pra casa pra ficar bebendo água. Continuo tomando todas as precauções, usando máscara, limpando a casa, chegando e tomando banho, coloco um pano molhado com álcool na entrada de casa pra limpar os pés. Hoje estou melhor da ansiedade, mas continuo preocupada com meu filho que vive saindo sem necessidade”.

Histórias como essa da família da Monalisa acontecem aos montes. Ela representa um grupo grande de pessoas. Os cuidados com a saúde mental se tornaram necessidade básica. 

Como essas pessoas menos favorecidas conseguem fazer isso? Vimos que muitos psicólogos e psiquiatras se colocaram à disposição para facilitar esse processo, tentaram repassar informações, formas de autocuidado e atendimentos gratuitos para aqueles que estavam necessitados. Muitos veículos de comunicação ajudam na divulgação de trabalhos voluntários, de dicas profissionais. Isso ajuda a popularizar o acesso a essas orientações. 

Onde buscar apoio psicológico

Se você está se sentindo afetado de alguma forma ou conhece alguém que esteja, saiba que existem formas de buscar ajuda profissional. Conheça os lugares que oferecem atendimento psicológico gratuito ou de baixo custo na cidade do Rio de Janeiro:

  • INSTITUTO DE PSIQUIATRIA – IPUB/UFRJ
    Av. Venceslau Brás, 71 Fundos – Botafogo/RJ
    Telefone: 3938-5536
  • SERVIÇO DE PSICOLOGIA APLICADA – UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA
    Rua Ibituruna, 108 Vila Universitária – Casa 04/Tijuca
    Telefone: 2574 – 8898
    Av. Ayrton Senna, 2001 Bloco 3 Sala 43 – Barra da Tijuca
    Telefone: 3326-1350
  • UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (UFRJ)
    Endereço: Av. Pasteur, 250 – Botafogo – Rio de Janeiro – RJ
    Telefone: (21) 2295-8113
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICANÁLISE DO RIO DE JANEIRO
    Telefone: (21) 2537-1333
  • CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEIRO
    Endereço: Rua David Campista, 170, Botafogo
    Telefone: (21) 2286-6922 ou 2286-6812
  • SERVIÇO DE PSICOLOGIA APLICADA – SANTA ÚRSULA
    Telefone: (21) 99411-9681
  • PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO 
    Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea
    Telefones: (21) 3114-1001
  • CLÍNICA MENTE E CORPO
    Rua Sorocaba, 158 – Botafogo
    2286-4738 e 3239-1414
  • INSTITUTO DE PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA EXISTENCIAL DO RJ
    Rua Barão de Pirassununga, 62 Tijuca
    Tels: 2268-9907 ou 2208-6473
  • SERVIÇO DE PSICOLOGIA APLICADA – UERJ
    Rua São Francisco Xavier, 524 – 10° andar – Maracanã/RJ
    Telefones: 2334-0033 e 2334-0688
  • RODA DE TERAPIA COMUNITÁRIA
    Rua Álvaro Borgerth, 27 Botafogo – Tel: 2197-1500
  • UNIPSICO
    Av. Nossa Senhora de Copacabana, 195 s/916, Copacabana
    Tel.: 21-2543-0111 / 21-2244-3712
  • SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DO RIO DE JANEIRO
    (21) 2533 0118
  • SERVIÇO DE PSICOLOGIA APLICADA DO IBMR
    Campus Botafogo: Praia de Botafogo 158 – Tel.: 2552-8096
    Campus Catete: Rua Corrêa Dutra 133 – Tel.: 2557-0001
    Campus Barra da Tijuca: Av. das Américas, 2603 – Tel.: 3544-1187
  • INSTITUTO DA FAMÍLIA – INFA
    Rua Alzira Brandão, 459 – Tijuca – Rio de Janeiro – Tel: (21) 2567-9899
    Rua Goiás, 132 – Eng. de Dentro – Rio de Janeiro – Tel: (21) 2269-0896
    Rua Pau Brasil, 4 – Itanhangá – Rio de Janeiro – Tel: (21) 3154-2003

*Roselany Ribeiro, correspondente local sob supervisão de Michel Silva no programa de microbolsas do Fala Roça, em parceria com Repórteres Sem Fronteiras – Brasil

**Foto de capa: Diego Cardoso

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