Amostras analisadas pelo Departamento de Química da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) apontou que a água subterrânea das bicas da Vila Verde, Rua 3, 199 e Dionéia estão contaminadas com coliformes fecais. A contaminação foi identificada pelo Laboratório de Caracterização de Águas da universidade após garrafas de água serem encaminhadas pelos moradores das regiões.

Existem aproximadamente 17 fontes de água subterrâneas – também chamadas de água de mina – em funcionamento na Rocinha. Ao total, 6 bicas foram testadas, sendo que as bicas do Laboriaux e Bicão (Terreirão) foram aprovadas nos testes. O projeto ambiental Horta na Favela e o Instituto TamoJunto auxiliaram a universidade na coleta das primeiras garrafas de água.

Reprodução de um laudos feitos pelo Departamento de Química da PUC-Rio

A água que corre 24h por pequenos canos são águas de fontes diferentes das águas canalizadas fornecidas pela Águas do Rio. Por isso, não recebe nenhum tratamento. Muitas bicas instaladas na Rocinha foram feitas por moradores há quase 50 anos. Essa água vem por baixo da terra e como tem muitas valas, o esgoto não é canalizado corretamente e jogado na água pluvial necessitando de obras de saneamento básico.

“A Águas do Rio informa que não é responsável pelo monitoramento de fontes informais de água da Rocinha, como bicas distribuídas pela comunidade. A concessionária realiza o acompanhamento constante da água fornecida pelas elevatórias E1 e E2, que atendem a região, e assim garante sua qualidade e a preservação da saúde das pessoas. Orientamos à população da Rocinha para que faça uso apenas de água fornecida pela Águas do Rio.”, disse a empresa em nota enviada ao Fala Roça.

Apesar da pequena quantidade de bicas testadas, os primeiros resultados servem de alerta para moradores de outras localidades que costumam consumir o líquido. O professor do Departamento de Química da PUC-Rio, José Marcus Godoy, ressalta que o consumo de água contaminada por fezes pode acarretar problemas de saúde, como sintomas de diarreia e vômito.

“Uma vez consumida a água impura você terá alguns problemas, como diarreia por causa do contato com coliformes fecais, mas isso tem como evitar, basta ferver bem a água antes de consumir ou colocar algumas gotas de cloro. Já o nitrato você não consegue tirar ele nem fervendo, nem pingando cloro, o nitrato não vai embora. Continua na água, isso é mais suscetível para crianças porque ele atrapalha o transporte de oxigênio na corrente sanguínea que acaba sendo mais crítico para as crianças.”, explica o professor José Marcus Godoy.

Segundo o Departamento de Química da PUC-Rio, qualquer pessoa pode enviar amostras de forma voluntária. Para isso basta pegar uma garrafa PET de 500ml, lavar três vezes por dentro e a tampa com água da própria bica, encher bem e colocar na geladeira até o dia em que for entregar no laboratório, na Gávea. 

Luta pela água já tem 50 anos

A luta pelo abastecimento de água na Rocinha é antiga. Desde a década de 70, os moradores criaram projetos, enviaram ofícios à CEDAE e até fizeram caravana até o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, para pressionar as autoridades pelo abastecimento de água canalizada.

Na década de 80, a Rocinha vivenciou um alto índice de hepatites, diarréias, infecções intestinais, principalmente, nas crianças. Visando às eleições municipais no Brasil em 1982, a CEDAE instalou 15 bicas públicas espalhadas pela favela, principalmente, nas margens da Estrada da Gávea. Essas obras excluíram milhares de moradores espalhados pelo morro que exigiam água canalizada.


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