Ecopontos compactam os resíduos e reduzem o lixo espalhado nas calçadas da Rocinha

Com a instalação de ecopontos em diferentes pontos da Rocinha, a iniciativa busca reduzir o lixo espalhado nas ruas e melhorar a limpeza urbana da comunidade.

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Com a instalação de ecopontos em diferentes pontos da Rocinha, a iniciativa busca reduzir o lixo espalhado nas ruas e melhorar a limpeza urbana da comunidade.

Não é de hoje que o descarte de lixo é uma questão na Rocinha. Afinal, por dia, são mais de 230 toneladas de resíduos sólidos, de acordo com a Comlurb. Para garantir uma coleta eficaz, é necessário que os caminhões subam na favela mais de uma vez ao dia. O acúmulo provoca odor, proliferação de doenças e mau cheiro. Em 2026, uma nova tecnologia chega para amenizar o problema: os ecopontos da Prefeitura. 

Os ecopontos são caixas compactadoras de lixo domiciliar e caixas para bens inservíveis, como móveis e colchões. As localidades de Vila Verde, Valão e Pastor Almir e Rua 1 já têm as máquinas instaladas. Os serviços contam com a presença de um operador que recebe e separa o lixo, de acordo com a sua categoria. Quando possível, garrafas pets e papelões são separados para reciclagem. 

Instalação de ecopontos na Rocinha. Foto: Karen Fontoura

Na Vila Verde, o operador é Robson César, que é  morador de Campo Grande e trabalha há 35 anos na limpeza urbana da Rocinha.Durante anos, Robson trabalhou na Roupa Suja e há três meses está operando as máquinas em outra região. Para ele, os ecopontos evitam o lixo espalhado, mas precisa de pequenas estruturas para funcionar melhor, como um encanamento para escoar o chorume que sai das máquinas. O líquido escorre e atinge a calçada e parte da rua, onde moradores passam. Além de Robson, outro funcionário cumpre expediente em horário diferente na mesma localidade para garantir que descarte correto. 

“Tem que ter sempre alguém aqui pra organizar e não ficar aquela bagunça. Se a boca da caixa estiver cheia, o morador pode achar que não tem mais espaço e jogar no chão. Mas é só operar os botões que o lixo é compactado. Melhorou 90%”, ele diz. “Os moradores descem e dizem que é uma boa solução. Imagine uma área de turismo e o lixo espalhado pela pista? Não é legal. Então, melhorou não só pra gente [trabalhador], mas para toda a comunidade. O lixo é problema de todos nós, de cada morador“, afirma Robson. 

Em áreas que não tem ecopontos, os moradores descartam o lixo nas chamadas lixeiras, espaços na calçada de cada localidade, podendo ter caçambas disponíveis ou não. Então, o ideal é que as pessoas  andem com o seu lixo até a lixeira mais próxima. Mesmo com a presença de funcionários da Comlurb diariamente, não é difícil o acúmulo e espalhamento de lixo nessas regiões que ainda não têm os ecopontos. Existem momentos em que as lixeiras estão tão cheias que os moradores precisam andar no meio do lixo. 

A lixeira da localidade da Rua 2 é um dos casos que ainda não recebeu o ecoponto. Foto: Karen Fontoura

Vinícius Francisco mora na Rocinha há mais de 40 anos e acha que o descarte de lixo continua problemático. Há cerca de seis anos, ele trabalha como catador de recicláveis e sente a importância de melhorias na Rocinha. 

“Agora as coisas estão melhorando aos poucos. Hoje, chegaram caçambas novas no Portão Vermelho. Antes, estava tudo espalhado. O grande problema é que os moradores não ajudam muito. Às vezes, a caçamba tá vazia e eles jogam no chão. Com consciência, os moradores podem ajudar”, ressalta Vinícius.

No entanto, ainda há um caminho pela frente. Segundo a Gerência Executiva Local, o próximo ecoponto da Rocinha será instalado na Rua 1.

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