Favela no Game Rocinha

Iniciativa do Favela Gaming promove ações educativas, competições de game  e oficinas para crianças da Rocinha

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Iniciativa do Favela Gaming promove ações educativas, competições de game  e oficinas para crianças da Rocinha

Quem tem criança em casa sabe que, a partir de determinada idade, os jogos de videogame passam a fazer parte da rotina. Ao mesmo tempo, moradores de favelas enfrentam desafios para acessar essa tecnologia. Considerando esses fatores, o Lab Móvel, do Favela Gaming, circula pelo Brasil oferecendo um laboratório itinerante de games nas comunidades. Durante dois finais de semana, crianças e adolescentes da Rocinha curtiram jogos interativos, oficinas e competições.

Nos dias 16 e 17 de maio, o evento foi realizado na Quadra da Roupa Suja, um dos principais acessos na parte baixa do morro. Já nos dias 23 e 24, o Lab Móvel seguiu para a Quadra da Rua 1, localidade na parte alta da favela. Os participantes tiveram acesso à realidade virtual, jogos em tablets e computadores, além de ações como oficinas de robótica e inteligência artificial. Para agradar ainda mais a criançada, houve distribuição de pipoca e picolé ao longo de toda a programação.

O evento é apoiado pela Claro e pela Petrobras. Entre os estandes, um dos destaques foi a experiência de realidade virtual nas profundezas do mar. As imagens mostram animais marinhos, destacam curiosidades sobre cada um deles e apresentam informações sobre o pré-sal. As longas filas demonstram o grande interesse das crianças pela ativação.

O evento proporcionou muitos jogos de entretenimento por dois finais de semana na Rocinha.
Foto: Divulgação

“Nossa ativação explica como o pré-sal é extraído. Você vai a 1.500 metros de profundidade, no fundo do oceano, conhecendo vários animais marinhos. As crianças adoram. Vêm mais de dez vezes por dia. Já atendemos mais de 100 pessoas, entre crianças, adultos e idosos. Todo mundo gostou”, conta Tainá Cruz, monitora técnica dos óculos de realidade virtual da Petrobras.

Ter acesso ao lazer é um dos direitos essenciais da infância e ajuda a moldar identidades. Eventos como o Favela Gaming produzem memórias e aprendizados importantes para os pequenos da Rocinha. Para os pais, a programação também é valiosa por oferecer, perto de casa, uma atividade que os filhos já apreciam. Maicon Lima levou os dois filhos, de 10 e 14 anos, para vivenciar a experiência e, apesar da diferença de idade, todos aproveitaram.

“Meu filho estava querendo vir desde ontem. Hoje ele está aqui e está aproveitando muito. Esse evento proporciona coisas maravilhosas na Rocinha. As crianças gostam de jogos, né? Se tivesse mais dias como esse, seria muito bacana, porque eles distraem a mente. É uma diversão para todo mundo”, disse Maicon.

Além da diversão, o evento cria um sentimento de pertencimento, fundamental para cada morador. A quadra da Rua 1 foi palco de muitos eventos importantes da cultura da Rocinha, desde festas juninas até bailes funk. Hoje, a nova geração muitas vezes não tem dimensão da importância desse espaço diante de tanto abandono. Por isso, ocupá-lo com brincadeiras, leveza e diversão é um passo importante para retomar e recriar ações nesse lugar afetivo da comunidade.

Depois da Rocinha, o Lab Móvel seguirá para Salvador. Desde 2023, o Favela Gaming incentiva a educação, a profissionalização e o impulsionamento sociocultural. Mari Martins, gestora de projetos, afirma que essa circulação permite um aprendizado sobre os modos de vida de cada território. Além disso, percorrer o Brasil tem o objetivo de expandir oportunidades e mostrar que é possível viver o sonho de ser jogador profissional.

“É a segunda vez que estamos no Rio e a Rocinha foi muito acolhedora conosco. O Favela Gaming vem com o intuito de levar para a galera das periferias, e do Brasil todo, a oportunidade de trabalhar com jogos e ter acesso a eles. Crianças e adolescentes sonham em ser jogadores profissionais, mas não sabem que existem tantas opções dentro do mercado. Temos mais de 150 aulas no nosso canal no YouTube que mostram que há muitas oportunidades”, relata Mari.

Mari Martins, gestora de projetos Lab Móvel

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