
Parceria entre o Fala Roça e a PUC-Rio forma futuros jornalistas na prática e no cotidiano da Rocinha
Com mais de 50 reportagens colaborativas, os alunos de extensão trabalham lado a lado com a equipe do Fala Roça, tendo a experiência do dia a dia do jornalismo de favela

Com mais de 50 reportagens colaborativas, os alunos de extensão trabalham lado a lado com a equipe do Fala Roça, tendo a experiência do dia a dia do jornalismo de favela
“O que a universidade pode aprender com a Rocinha?”. Foi a partir dessa provocação que nasceu a extensão de Jornalismo e Cidadania, coordenada pela professora Lilian Saback e pelo Michel Silva, cofundador do Jornal Fala Roça. A disciplina colaborativa com a PUC-Rio convida os alunos a compreender na prática como se faz jornalismo de favela.
“Aqui, os alunos têm a liberdade de escrever sobre o que gostam, contextualizar, produzir jornalismo de soluções e conhecer os reais especialistas das narrativas: os moradores. Eles vão circular pelo morro, conhecer as pessoas e os equipamentos públicos, compreendendo que a lógica da favela vai muito além do que sempre foi contado”, afirma Karen Fontoura, coordenadora de jornalismo do Fala Roça.

A parceria, realizada desde 2022, conecta a vivência acadêmica à redação do Fala Roça, que exerce o papel de mentora de comunicação comunitária. Os alunos participam de aulas de História da Rocinha e de Lei de Acesso à Informação (LAI), reuniões de pauta e produção imersiva na comunidade, entrevistando moradores, conversando com especialistas e criando um vínculo com o jornalismo independente.
“A aproximação da universidade com a mídia comunitária possibilita a formação de futuros jornalistas capazes de produzir um jornalismo mais humanizado, além de aproximar os estudantes de questões estruturais que afetam os moradores de territórios periféricos da nossa cidade”, explica Lilian Saback, jornalista e professora da disciplina.
A disciplina é oferecida para propor um contraponto à lógica fortemente construída pela mídia comercial.

“Gostaria que todos os estudantes tivessem a oportunidade de viver uma experiência como essa, principalmente em uma universidade como a PUC. Precisamos de mais jornalistas e futuros profissionais olhando para as favelas e para as diferentes realidades que compõem a nossa sociedade.”, enfatiza Ana Beatriz, de 21 anos e estudante do 6º periodo de jornalismo da Puc Rio.
Ao conhecerem a organização, que é a principal referência de jornalismo na Rocinha, os alunos passam a produzir sobre as potencialidades da maior favela do Brasil, quebrando estigmas construídos por narrativas escritas por quem escreve de fora para fora e com pouco aprofundamento sobre os problemas da região.
“Fico muito feliz que a faculdade incentiva esse tipo de parceria, porque acredito que isso seja essencial no jornalismo: conhecer novos territórios, ouvir diferentes histórias de quem muitas vezes não é ouvido. Sem dúvida, foi uma das minhas aulas favoritas do semestre”, acrescenta.
Mais do que um espaço de aprendizagem para os universitários, a extensão também representa uma oportunidade de troca de saberes. A experiência demonstra que a favela não é apenas objeto de estudo, mas também um espaço que ensina sobre comunicação, escuta, ética e compromisso social.
“Foi uma experiência muito marcante para mim. Eu sou de Cabo Frio e nunca tinha visitado uma favela antes”, conta Clara Santa Rosa, de 21 anos, que fez a extensão em 2025.“A imagem que a grande mídia costuma construir desses lugares é muito estereotipada e distante da realidade. Eu já tinha consciência disso, mas viver essa experiência pessoalmente foi completamente diferente”, finaliza a jovem.

Foto: Fala Roça





