O estudante carioca Maciel Antonio, 25 anos, tem um motivo a mais para comemorar a entrega do trabalho final de conclusão da graduação em Arquitetura e Urbanismo pela PUC-Rio. Ele foi aprovado com bolsa de estudo para o mestrado no Instituto de Arquitetura Avançada da Catalunha (IAAC), em Barcelona, na Espanha. “É um passo muito importante pra mim e até agora tô surpreso com tudo”, comemora.

O Instituto de Arquitetura Avançada da Catalunha (IAAC) é um centro de pesquisa, educação, produção e divulgação, com a missão de imaginar o habitat futuro de nossa sociedade e construí-lo no presente. Barcelona é conhecida como a capital da arquitetura e do design, onde o urbanismo foi inventado e palco de diversas pesquisas na área.

Engajado com as causas sociais do morro, recentemente Maciel Antonio desenvolveu uma pesquisa chamada “Quem define a cidade?” no qual analisa e questiona as produções arquitetônicas nas favelas sem a participação direta dos moradores, em especial, as intervenção urbanas em suas praças.

A partir de entrevistas realizadas com moradores e um levantamento fotográfico dos espaços livres na Rocinha, o estudante desenvolveu  uma ferramenta de colaboração e compartilhamento de ideias nos espaços do improviso como becos e praças e ao mesmo tempo busca representar no desenho dos espaços existentes a valorização do coletivo. 

“Com apenas um celular e através da leitura de qr-codes colados em lambe-lambes próximos aos espaços desenhados, os moradores podem ter acesso a materiais gráficos das praças e sugerir, desenhando em cima da ilustração, novas maneiras de utilizar as praças, tendo como finalidade o compartilhamento do desejos dos moradores em redes sociais, sugerindo novas mobilizações em torno das praças”, explica Maciel Antonio, que acredita nas soluções integradas entre moradores e o poder público.

Fora da universidade, o jovem é colaborador do coletivo A Rocinha Resiste, além de ter criado em parceria com outras pessoas, o curso “A Rocinha que Queremos”, baseado no Plano Diretor da Rocinha. Ele também fez parte da equipe de arquitetos do programa Comunidade Cidade, extinto pelo governador Claudio Castro após a privatização da Cedae. O programa tinha o objetivo de fazer melhorias urbanísticas na Rocinha com foco no saneamento básico.

Mas a felicidade de estudar em outro país e experimentar uma nova cultura foi frustrada pela pandemia de covid-19. O jovem fará o mestrado a partir do seu quarto numa casa na parte alta da Rocinha. “Só no final do mestrado que eu vou viajar para defender meu trabalho lá”, diz Maciel Antonio, enquanto aguarda a vez de receber a vacina contra o vírus em uma unidade de saúde do morro.

Assine nossa newsletter

Receba por e-mail informações sobre a maior favela do Brasil.

VOCÊ TAMBÉM PODERÁ GOSTAR

Deputado sugere ao governo a construção de colégio da Polícia Militar na Rocinha

Três colégios militares da PMERJ foram construídos no Rio em 12 anos

Jovem da Rocinha chega 2 minutos atrasado e é impedido de participar de seleção na UFRJ

O desabafo feito pela irmã dele, Bruna Dias, viralizou em uma rede social

Aos 58 anos, a moradora Maria Rizonete passa em faculdade pública e vira universitária

Maria Rizonete da Silva, de 58 anos, sempre chamava atenção quando saía…

Horta na Favela: projeto criado na Rocinha visa reduzir impacto ambiental

Reduzir o impacto ambiental e desenvolvimento social por meio da horticultura. É…