A Rocinha é considerada um dos berços de jovens esportistas, sobretudo, surfistas e bodyboarders. Isso se deve, principalmente, às três escolinhas de surfe e bodyboard coordenadas por moradores da favela e oferecidas na praia de São Conrado. As iniciativas ajudam cerca de 160 crianças e adolescentes a crescerem e virarem referência para outras pessoas.

Para um surfista jovem se destacar é necessário patrocínio e alto investimento. Os trabalhos realizados nesses projetos sociais dão a possibilidade aos alunos de terem melhores perspectivas de vida para o futuro.

O professor da escolinha Vivendo um Sonho Surf, Carlos Belo, mais conhecido como Mister, acredita que ser cria da Rocinha e ter participado de um projeto social ajuda na relação com os alunos. Mister diz que inspira a garotada. “Eu fui beneficiado através de um projeto social, onde me deram oportunidade de eu poder viver do esporte, poder viajar, conhecer diferentes lugares. E acabou que virei referência para outros jovens que, no futuro, serão referências para outra geração”, explica o professor

Outro exemplo de referência para essa nova geração é o atleta Moisés Estevan, da escolinha do Mister. Ele começou a surfar com 13 anos e hoje, aos 17, já competiu na Indonésia e no México. Moisés viu no surf uma possibilidade de enfrentar dificuldades que estava passando na vida pessoal. Esse ano, o surfista foi destaque por pegar uma das maiores ondas de Copacabana.

“Nesse momento eu estou mais concentrado na minha evolução. Como eu comecei a surfar mais tarde do que a galera que tem a minha idade, eu e meu pai decidimos focar no meu desenvolvimento, pegar ondas grandes e tubos. Também estou empenhado em realizar meu sonho que é surfar em Pipeline, no Havaí, porque são ondas muito desafiadoras”, contou Moisés.

O pai de Moisés, o produtor de conteúdo em audiovisual Marcos Braz, conta que o filho recebe muito apoio da comunidade por doações para ajudar nas viagens. “ Ninguém faz nada sozinho, né? Ele teve uma ajuda popular muito grande”. O filho Moisés também enfatiza a alegria em poder contar com o auxílio. “Muitas pessoas que não tem condições doando 50, 80 centavos, 1 real, de coração. Isso me deixou muito emocionado e me motivou demais ver que a galera acredita em mim”, afirma o surfista.

Para Ricardo Ramos, conhecido como Bocão, o sucesso está na importância de ter profissionais habilitados a ensinar o esporte. Bocão é o fundador da Rocinha Surfe Escola, que funciona desde 1994. “As escolas de surf tem que ter um profissional de educação física. Existem muitas pessoas que exercem a função ilegalmente e isso acaba impactando na saúde dos alunos”, explica Bocão.

Além de projetar jovens no esporte, as escolinhas desempenham um papel social muito importante na favela. Elas contribuem significativamente para a formação de futuros cidadãos com perspectivas de mudança de vida, oferecendo oportunidades de crescimento pessoal e profissional.

Para o professor da Escola de Bodyboard da Rocinha, Gabriel Silva, também nascido e criado na favela, os projetos de surfe na comunidade podem trazer diversos efeitos positivos, como, por exemplo, o desenvolvimento de habilidades de trabalho em equipe e criação de empregos.

“As escolinhas de surf podem criar empregos locais, não apenas para instrutores de surf, mas também para profissionais em áreas relacionadas com gestão e marketing. Outro ponto é que muitas escolinhas focam na educação e fazem os alunos priorizarem a educação, o que pode abrir as portas para oportunidades acadêmicas e profissionais”, acrescenta Gabriel.

As aulas das três escolas são gratuitas e não é necessário ter uma prancha para se inscrever. Confira o horário das aulas de cada uma:

Escola de Bodyboard da Rocinha
Terça e quinta das 8h às 10h e das 15h às 17h
Sábado de 9h às 12h (Para participar é preciso estar matriculado em alguma escola municipal, estadual ou federal.)

Rocinha Surfe Escola
Terça, quinta e sexta de 12h às 16h

Vivendo um Sonho Surf
Terça e quarta das 8h às 10h e 15h às 17h.

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