Estudantes e professores protestam contra a falta de luz no CIEP Ayrton Senna

Unidade enfrenta problemas elétricos desde janeiro. Alunos estão com dificuldade de se concentrar nas aulas improvisadas 

compartilhe!

Na manhã desta terça-feira (3), alunos, professores, pais e moradores realizaram uma manifestação exigindo melhorias no CIEP 303 Ayrton Senna da Silva. Com cartazes e palavras de ordem, o ato ocupou duas faixas da Autoestrada Engenheiro Fernando Mac Dowell. Há 40 dias, a escola enfrenta problemas na energia elétrica após um incêndio em uma sala de equipamento em janeiro deste ano. Assim, as aulas são improvisadas no pátio da escola e com horário reduzido. 

Hoje, a unidade também estava sem água. A estrutura inadequada impacta diretamente na qualidade do ensino oferecido para os alunos. Sendo a única escola estadual de ensino médio da Rocinha, o CIEP também oferece Educação de Jovens e Adultos e é fundamental para a formação dos moradores. 

Estudantes e professores protestam contra falta de luz no CIEP Ayrton Senna. Foto: Lucas Holanda

É o caso de Vitória Neves, aluna do 1º ano do ensino médio e moradora da Roupa Suja. Com os problemas frequentes, ela sente que estudar no pátio tem afetado sua concentração. “Estar aqui [no pátio] é muito diferente de estar em sala de aula. Aqui a gente vê as passagens. Quem tem problema de déficit de atenção fica olhando e não vai prestar atenção no que os professores estão falando. É bem ruim para os alunos. Espero que resolvam logo. A gente sem sala de aula fica sem conforto também. E, assim, a gente fica estressado, sem vontade de estudar.”

Jaqueline e Victória, que são mãe e filha, protestam contra a falta de luz no CIEP. Foto: Lucas Holanda

Jaqueline Joy, mãe de Vitória, tem acompanhado as mobilizações da escola. O sonho de uma educação de qualidade para os filhos tem sido frustrado com tantas falhas estruturais. Por isso, ela se movimenta como pode para chamar atenção do Estado. 

“Meu sonho é uma escola com uma boa merenda,  educação de qualidade, salas adequadas, água geladinha. Isso muda muito. Estou puxando essa luta porque sem educação a gente não vai conseguir combater a desigualdade social no Brasil. É muito importante. Educação é a base de tudo”, diz a mãe da aluna.

Estudantes do Núcleo Estadual de Educação de Jovens e Adultos estão sem aula por conta do problea de energia. Como as aulas são no turno da noite, a falta de luz prejudica o aprendizado. A situação afeta sonhos e empenho de quem retornou para educação e concilia o trabalho com estudos. 

Lucimar Mesquita tem 52 anos e é moradora da Rua 2. Ela trabalha durante o dia e estuda à noite. Com muito esforço, conseguiu chegar ao 3º ano do ensino médio. No entanto, está há um mês sem estudar. 

“Não sei se vou conseguir completar meu 3º ano por conta da falta de luz. No escuro não tem como estudar. Espero que o governo veja a manifestação e tome uma providência. Para mim, é uma tristeza. Depois de muito tempo voltar a estudar e na reta final não ter luz e não ter aula… o estudo é muito necessário para a gente”, frisa.

Unidade enfrenta problemas elétricos há bastante tempo; alunos estão com dificuldade de se concentrar nas aulas improvisadas. Foto: Lucas Holanda

Problema antigo

O problema de energia elétrica no CIEP Ayrton Senna da Silva não é recente. Em 2021, o Fala Roça publicou uma matéria denunciando instalações inadequadas com péssimo estado de conservação que colocavam a vida dos alunos em risco. Em 2023, o FR também pautou a falta de professores de Sociologia, Ciências e Português.

O Rio de Janeiro é o único estado do país desabilitado pelo Ministério da Educação a participar da divisão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. A Assembleia Legislativa não votou o projeto de regulamentação em tempo hábil. Assim, o Estado deixou de receber R$100 milhões que poderiam ser investidos na educação pública. 

Integrantes do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro estiveram presentes no ato reforçando a importância de uma ação imediata do Estado. O Sepe tem acompanhado as ocorrências desde janeiro. 

“Desde que nós tomamos conhecimento do incêndio, estamos aqui. No sábado, tivemos mais de 120 pais de alunos e nos organizamos para essa mobilização hoje. Nós consideramos extremamente importante que a comunidade participe e lute pela educação, que é um direito garantido pela Constituição”, ressalta Wilton Porciúncula, coordenação da capital do SEPE Central. “Esperamos que o governador e a Secretaria de Educação a partir do que a Rocinha está demonstrando hoje tome as providências necessárias”, complementa.

Procurada, a Secretaria Estadual de Educação não retornou sobre a previsão de revisão da energia elétrica. O espaço segue aberto para manifestação. 

Assine o Fala Roça

Receba as notícias por e-mail