A prefeitura do Rio gastou R$ 89 mil na instalação de dois postes com canhões de led para iluminar os arcos da Passarela da Rocinha. Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação (SMIH), a iluminação foi implementada após pedidos de moradores e comerciantes para garantir segurança e conforto de pedestres.

“Foram instalados dois postes com canhões de led próximo a Autoestrada Lagoa-Barra ao custo de R$ 89 mil. Esse tipo de iluminação é mais econômica, durável e aumenta a eficiência da luminosidade”, informou a SMIH.

Porém, em nova visita à passarela em agosto de 2020, os postes foram removidos e, no local, foram instalados dois postes com dois refletores cada. Procurada, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação não respondeu nossos questionamentos sobre porque os postes foram removidos e para onde foram levados.

Imagens registradas no dia 13 de fevereiro de 2020 mostra a localização dos postes com 9 canhões de led cada. De noite, postes aparecem apagados meses após instalação.
Fotos: Michel Silva

Instalados em janeiro de 2019, o Fala Roça acompanhava os postes de led há um ano por causa das constantes reclamações de moradores de que a iluminação não estava funcionando, além de estarem cobertos por uma árvore, necessitando o trabalho de poda. Em maio de 2019, a Rioluz, empresa pública responsável pela iluminação na cidade, disse que enviaria uma equipe ao local para uma vistoria.

Um comerciante que não quis se identificar e trabalha há 12 anos de frente para a passarela disse que nenhum representante da prefeitura procurou os comerciantes ou moradores da região a respeito da iluminação especial, mas que eles sugeriram ao prefeito que as lâmpadas dos postes que já existiam no local fossem trocadas. Esses postes antigos foram colocados através de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, em 2010, durante a construção da passarela.

O pedido da troca das lâmpadas coincide com a visita que o prefeito Marcelo Crivella fez na Rocinha em 2018. Na época, Crivella disse à imprensa que pretendia pintar as fachadas dos prédios em uma das entradas da Rocinha, por que a favela estava “muito feinha”. Segundo o prefeito, o objetivo era passar a “ideia de uma comunidade arrumada” para quem transita pela Lagoa-Barra, uma auto-estrada que margeia a Rocinha.

Dito e feito. No dia 4 de abril de 2019, o Diário Oficial do Município publicou um despacho da subsecretaria de Habitação para obras e serviços de readequação de fachadas em edificações na entrada da Rocinha, de frente para a autoestrada Lagoa-Barra ao custo de R$ 1.722.316,49. A empresa contratada foi a construtora Entre os Rios Eireli. 

A Rioluz não retornou nosso contato até o fechamento desta matéria.O espaço segue aberto para atualização.

Assine nossa newsletter

Receba por e-mail informações sobre a maior favela do Brasil.

VOCÊ TAMBÉM PODERÁ GOSTAR

De olho em 2022, Castro vai retomar obras do Plano Inclinado da Rocinha

Governo pediu apoio à UERJ para elaboração do projeto de retomada das obras do Plano Inclinado da Rocinha, paralisada desde 2010

Prédio de 4 andares é interditado por risco de desabamento na Rocinha

A Secretaria de Conservação iniciou a demolição de um prédio residencial de…