Conheça Marcondes Ximenes, liderança comunitária e esperança na Rocinha

Com ou sem horário marcado, Marcondes Ximenes se destaca ao andar todos os dias na maior favela do Rio ajudando moradores.

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A história da Rocinha é marcada pelo espírito comunitário de pessoas que amam o território e se organizam para realizar melhorias. Após a década de 60, a favela é marcada pela atuação da associação de moradores, que surgiu com o objetivo de reivindicar os direitos dos moradores e ser a ponte entre a favela e o poder público. Desde então, a presença de pessoas comprometidas com o bem-estar do território na União Pró-Melhoramento dos Moradores da Rocinha é fundamental para o desenvolvimento do morro.  

Uma dessas figuras é Marcondes Ximenes. Como cria da Rocinha, ele conhece o morro na palma da mão e é requisitado a todo momento por ser vice-presidente da UPMMR. Com ou sem horário marcado, Condy se destaca ao andar todos os dias na maior favela do Rio ajudando moradores.

“Eu tenho uma teoria que ser liderança é algo que vem de dentro. Desde que me conheço por gente eu tenho essa empatia. Sempre acabei arrastando pra mim as causas sociais. Na vida adulta, a gente percebe várias situações que a gente convive com interrogações que não se sabe as respostas. Por exemplo, não saber o porquê do lixo jogado de forma irregular na rua. E eu sempre busquei essas respostas”, relata Condy Ximenes.

O olhar atento às desigualdades o levou a ocupar cargos importantes na Rocinha. Antes de chegar na gestão da UPMMR, foi gestor da Gerência Executiva Local, organização da Prefeitura encarregada em fiscalizar e trazer serviços públicos aos bairros e favelas. Atualmente, como vice-presidente, Condy realiza o trabalho operacional da Associação. Junto com sua equipe, ele identifica os problemas da comunidade e aciona as autoridades responsáveis. 

Administrar as demandas de uma grande favela como a Rocinha não é uma tarefa fácil. Condy acredita que a união é uma ferramenta para superar os desafios impostos. Trabalhar em equipe não é uma novidade na sua vida. Durante anos, ele coordenou iniciativas sociais voltadas para o esporte e, enquanto Comissão Técnica, conquistou a Taça das Favelas com o time da Rocinha, em 2012. 

Condy Ximenes, na sede da associação de moradores, aponta para uma das localidades da parte alta da Rocinha em um mapa na parede. Foto: Rodrigo Silva

“Através dessa conquista da Taça de Favelas, eu me identifico com os sonhos da molecada de 16, 17 anos da Rocinha e ali eu começo uma caminhada em busca desses sonhos. Hoje eles estão com seus 20 e poucos, 30 anos. Até hoje me tratam como pai e eu tenho eles como meus filhos. Cada vida transformada pelo esporte é uma pessoa de bem formada”, conta Condy.

Condy cresceu na Travessa Oliveira brincando de pique e jogando bola. Desde a infância, o espírito de liderança era uma realidade, de maneira que na escola era representante de turma e no time de futebol o capitão. Aos 47 anos, ele é casado e pai de um jovem que seguiu seus passos e hoje é treinador de futebol.

Já são mais de 20 anos de atuação em causas sociais. Os desafios fazem com que a energia não seja a mesma do início. Ocupar o cargo de vice-presidente demanda empatia, paciência e coletividade. Em meio a tantos pedidos e demandas, são as simples ações e reconhecimentos que dão um gás na persistência de Condy por melhorias na Rocinha. 

“Entrei com esse gás de revolucionar e entendi que muitas coisas não dependem só de mim. O que me motiva a continuar nessa caminhada pequenas conquistas, serviços, gestos e melhorias que eu consigo conquistar e vê que impactei positivamente uma senhora ou um coletivo que há muito tempo não tinha uma visão ou uma solução para determinado problema”, explica o vice-presidente da UPMMR.

Esperança é uma das palavras que rege a vida Condy. A continuidade de suas ações se dá por acreditar em uma Rocinha mais acolhedora e com serviços públicos de qualidade para os moradores. O olhar de cria faz com que o vice-presidente avance com coragem na construção de uma favela digna e justa. 

“Costumo falar que antes era pedra e agora sou vidraça. Ou seja, eu era a pessoa que apontava e via os defeitos e agora estou no processo interno, sou eu quem tenho essa responsabilidade. Eu prefiro acreditar que a Rocinha vai continuar sendo potência. A gente tem um potencial muito grande para transformar esse lugar. Mesmo diante de todas as dificuldades, isso aqui é um paraíso”, finaliza Condy. 

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