Nas favelas é comum as crianças e adolescentes jogarem futebol, praticarem uma luta ou outro esporte. Desde 2010, o americano e instrutor profissional de alpinismo, Andrew Lenz, de 35 anos, oferece um esporte radical para os moradores da Rocinha: a escalada. Ele construiu um espaço com a ajuda de esportistas doadores para aproximar os moradores com o esporte.

Localizado na Cachopa, o Centro de Escalada Urbana (CEU), visa aumentar a autoestima, a responsabilidade pessoal, a consciência sobre o meio ambiente e os hábitos cotidianos saudáveis dos jovens que participam do projeto. “Eu acredito que a escalada te ensina muito mais do que só a escalada. Ela te ensina a lidar com o medo, como lidar com situações complexas, você confiar no outro e tudo isso acredito que seja muito fácil aplicar em outros momentos da vida”, conta Lenz.

Jovens participam de aulas na Cachopa e depois são levados para escalarem montanhas na cidade.

Durante a construção do espaço, os moradores não entendiam a utilidade dos muros de escalada com cerca de 6 metros de altura. Depois que tudo foi montado, os moradores começaram a entender o que era, entretanto, a interação das pessoas com o muro ainda é baixa porque elas não conhecem a prática da escalada.

Busca por novos alunos

O local foi construído com toda a segurança necessária para a prática esportiva. No espaço, os alunos recebem orientações e o equipamento para dar os primeiros passos gratuitamente e acompanhada por monitores.

O projeto atende jovens de 12 a 19 anos e quem conclui o curso básico ganha um kit, com cadeira, sapatilhas e capacete. Também há o curso intermediário e avançado. Depois que os jovens recebem treinamento, eles são levados para escalarem diferentes locais no Rio, como o Morro Dois Irmãos, o Pão de Açúcar e as Paineiras.

O morador da Vila Verde, Rodrigo Alves, de 16 anos, conheceu o projeto através do projeto Rocinha Surfe Escola. Já fez boxe, não curte futebol, mas sempre gostou de esportes radicais. “No começo é meio estranho, mas fui praticando e ganhando segurança até que depois escalei o Morro Dois Irmãos”, diz ele que complementa: Escalar os morros tem mais emoção e é muito melhor porque não tem competitividade”.

Segundo Andrew, para se inscrever, o responsável precisa ir até o espaço para conversar com os instrutores. “Temos uma ficha de inscrição padrão e uma liberação dos responsáveis para a prática do esporte porque senão eles podem ver na internet que seu filho está pendurado há 100 metros do chão e não sabem”, brinca ele.

Um dos primeiros alunos do projeto, o morador do Laboriaux, Jonas Caitano, de 17 anos, pretende cursar Educação Física na faculdade. Praticante de surfe, conta com orgulho que trouxe muitos amigos para o projeto, mas lamenta a falta de cuidados com a natureza. “Dói no coração quando vou fazer uma trilha e vejo lixo no mato, acho que devemos respeitar a natureza e aprendi isso no projeto”, conta ele.

Os interessados em aprender a escalar deve ligar para (21) 99328-5904 ou na página do projeto no facebook: www.fb.me/escola.ceu

Assine nossa newsletter

Receba por e-mail informações sobre a maior favela do Brasil.

VOCÊ TAMBÉM PODERÁ GOSTAR

Atenção Básica à Saúde na Rocinha sofre com descaso da Prefeitura

Agente comunitário de saúde relata a dramática situação dos ACS

Britânico cria escola de inglês gratuita na Rocinha

Seja a mudança que você quer ver no mundo. Inspirado no pensamento…

O que podemos esperar da crise na saúde pública do Rio em 2020

Uma das maiores conquistas democráticas trazidas pela Constituição de 1988, aquela que…

Moradores da Rocinha vencem 3ª edição do Festival Brasileiro de Nanometragem

Sob aplausos da platéia, o vídeo “Anjos não falam” venceu o 3º…