Desde sua fundação em 2004, o Adolescentro Paulo Freire tem sido um refúgio para jovens em busca de saúde e oportunidades culturais. Localizado em São Conrado, o centro de saúde funciona no Centro de Cidadania Rinaldo de Lamare e tem como missão oferecer serviços que vão além do convencional, promovendo parcerias nas áreas de arte, cultura e educação física.

Idealizado por Viviane Castelo Branco, ex-gerente do Programa da Saúde do Adolescente no Rio de Janeiro, o projeto visa proporcionar acesso igualitário à saúde de qualidade para jovens de baixa renda, enquanto combate a vulnerabilidade social por meio de atividades culturais, sociais e de saúde. “Nossa visão vai além do tratamento tradicional. Queremos empoderar esses jovens e transformar suas vidas”, afirma Mônica Alegre, médica e atual coordenadora do projeto.

Nas instalações do Adolescentro, a criatividade floresce em meio a sessões psicoterapêuticas e oficinas de teatro, balé e desenho. Apesar dos desafios, como a redução da participação após a pandemia, o centro continua aberto a parcerias que enriqueçam sua oferta de atividades. “Queremos que os jovens se sintam parte de algo maior, que descubram seus talentos e sejam agentes de mudança em seus territórios”, destaca Alegre.

Os jovens que participam das ações e das atividades de promoção da saúde experimentam uma mudança radical na percepção de vida, metas, planos, autocuidado e gestão familiar.

Um exemplo dessa transformação é o professor de teatro do Adolescentro, Manuel Gomes, que chegou ao Rio de Janeiro aos 11 anos, em busca de trabalho. Por meio do Adolescentro, Manuel encontrou uma oportunidade na aula de teatro, que, segundo ele, beneficiou sua vida pessoal e profissional. Manuel também é facilitador do RAP da Saúde e administra suas redes sociais, que já ultrapassaram 3.000 seguidores.

O RAP da Saúde é uma iniciativa municipal que capacita jovens de 14 a 24 anos para promover a saúde em suas comunidades. A equipe oferece capacitações e ferramentas para desenvolver atividades sobre temas como Cultura da Paz, Prevenção ao Suicídio, Uso Responsável do Celular e Alimentação Saudável. “Nosso objetivo é capacitar esses jovens para liderarem ações de promoção da saúde, abordando questões como prevenção ao suicídio e alimentação saudável”, explica Manuel Gomes.

Jovens participam de várias atividades no adolescentro. Foto: Cleo Bonneterre

Para Gomes, o Adolescentro não é apenas um local de trabalho, mas um catalisador de transformações pessoais. “Eu era tímido, não falava em público e hoje não consigo mais ficar calado. O projeto foi meu barco de partida para a vida. Antes disso, eu nunca tinha me interessado por nada além da natação que eu fazia, então ele abriu minhas portas para o futuro.”, contou emocionado.

O processo de seleção para o RAP é aberto aos jovens entre 14 e 24 anos e não requer experiência prévia. Os interessados podem se inscrever e enviar seus currículos online após o lançamento de um chamado anual. Os currículos são analisados individualmente, e os selecionados são convocados para entrevistas presenciais. 

Os jovens dentro do RAP podem desempenhar duas funções diferentes: multiplicador ou dinamizador.  As pessoas aprovadas recebem uma bolsa auxílio de R$ 450 para serem multiplicadores e R$ 650 para dinamizadores, com duração de dez meses, podendo ser renovado posteriormente. A carga horária é de 12 horas semanais para multiplicadores e 16 horas para dinamizadores, com horários variados durante a semana.

As oficinas de balé, destinadas a crianças de até 12 anos, ocorrem às terças e quintas, das 15h às 16h. Já as aulas de teatro, para adolescentes de 14 a 21 anos, acontecem nos mesmos dias, das 18h às 20h. A oficina de desenho, aberta a partir dos dez anos, é realizada às quartas e quintas, iniciando-se às 15h, sem horário fixo de término.

Para participar das oficinas oferecidas pelo Adolescentro, basta comparecer à sua sede na Avenida Niemeyer, 776, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Todos os professores são voluntários, e os interessados em participar devem se dirigir ao Adolescentro durante o horário da oficina desejada.

*Reportagem produzida através da disciplina Jornalismo e Cidadania, ministrada pela professora Lilian Saback por meio de extensão universitária do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio.

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