Nos dias 17 e 18 de maio, a Rocinha recebe a primeira edição da Feira Literária Internacional da Rocinha (FLIR), um evento que promete celebrar a literatura e a cultura em um ambiente inclusivo e diversificado. 

Com abertura marcada para o CIEP Ayrton Senna, em São Conrado, das 10h às 17h, e continuação no segundo dia no Parque Ecológico da Rocinha, das 9h às 17h, a FLIR oferecerá mais de 15 atividades para o público de todas as idades. A entrada é gratuita e a classificação é livre, proporcionando acesso a uma variedade de experiências literárias e culturais para todos os interessados.

A feira, beneficiada pela Lei Paulo Gustavo, tem o objetivo de mostrar a diversidade cultural da Rocinha. As atividades são baseadas em conhecimentos literários, artísticos, musicais, culturais, espirituais e outros saberes. A programação conta com aulas, oficinas, palestras, apresentações, rodas de conversa e mesas de debates com autores, comunicadores e lideranças locais e internacionais. 

Segundo Rafael Ifaponle, jornalista e editor do projeto, a proposta do evento é ser uma reunião de literaturas e filosofias artísticas na favela. “A FLIR é um movimento de defesa do direito à Literatura e combate a uma situação de perda de leitores. A FLIR é o lugar de literaturas, músicas, artes, pinturas que vão se encontrar para começar a lutar pelo direito à Literatura. Queremos formar mais leitores e manter esses leitores que temos hoje ou resgatar leitores que perdemos ao longo dos últimos anos”, disse.

A FLIR terá aula sobre a história da Rocinha, exposição do Museu Sankofa, roda de conversa sobre Hip Hop, oficinas de narrativas, performances musicais e contações de histórias do público presente. Segundo os organizadores, livros de autores da FLIR serão vendidos durante o evento e haverá bancas de venda com produtos das editoras participantes. 

A curadora responsável, Aline Chagas, comentou sobre a importância de realizar a primeira feira internacional da Rocinha e o impacto do projeto em uma favela com mais de 100 mil habitantes.

“Acredito que a FLIR pode deixar uma sementinha. A gente vai deixar algo bom dentro dessas pessoas, desses alunos, professores, artistas, autores. Acho que é importante a gente pensar em políticas públicas através desses eventos como a FLIR”, comenta.

Ana Paula Santos Feitosa, de 23 anos, moradora da Rocinha, apaixonada por livros, diz que a feira literária vai trazer muitos benefícios e evidenciar mais o potencial de escritores do bairro. A jovem confessa que não sabia que a Rocinha tinha tantos autores literários e está ansiosa para explorar a programação do evento, que ocorrerá na próxima semana.

“Fico muito feliz de ter uma feira literária no morro, ainda mais por ser internacional. Só dá pra sentir orgulho da comunidade, das pessoas. Eu nem sabia que tinha tantos escritores aqui da Rocinha, escrevendo coisas tão legais. Espero que ajude e incentive as crianças, moradores, talvez alguma pessoa que tenha escrito um livro, projeto, que sirva de incentivo e inspiração para todos daqui“, disse.

Marilea Caetano, professora convidada que atua em escola pública e pré-vestibular no território, acredita que o evento vai ter impacto em vários setores da Rocinha. Ela afirma que se sente honrada de participar e contribuir no primeiro evento literário internacional da Rocinha e espera outras edições do evento.

“Tenho a expectativa de conhecer mais sobre as produções artísticas feitas na Rocinha. Espero que elas motivem nossos estudantes a tecer e a interagir mais com a arte local. Acredito que o impacto [da FLIR] será a ampliação da divulgação, interação, conhecimento e reconhecimento das diferentes manifestações artísticas existentes na Rocinha. Espero que esta seja a primeira de muitas outras FLIR,” disse.

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