A sexta-feira santa tem um atrativo especial na Rocinha: a encenação da Via Sacra. O espetáculo ao ar livre já acontece há 27 anos e é uma grande tradição local produzida pelo grupo Roça Caça Cultura, sempre trazendo um novo ponto de reflexão para o público.”Já acompanhei várias vezes e é muito emocionante”, lembra Josita Silva, moradora da Rocinha há quase 30 anos.

A equipe da Via Sacra é integralmente formada por moradores da Rocinha, o que reflete na escolha dos temas abordados. No início de 2018, os confrontos na favela, a morte de muitos moradores e o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, por exemplo, levaram o grupo a falar mais uma vez sobre a violência.

Em 2019, a equipe escolheu exaltar a força do povo: “Vamos falar de como podemos nos unir, reivindicar e cobrar nossos direitos. A luta de um pode se tornar a luta de todos. Esse será o nosso recado este ano”, explica Robson Melo, diretor geral do espetáculo.

Faltando apenas dois dias para a apresentação, o grupo segue sem nenhum apoio do poder público. E, embora a Via Sacra da Rocinha seja um Patrimônio Cultural e Imaterial do Rio de Janeiro, nem esse título nem a sua trajetória de sucesso tem sido o bastante para dar ao espetáculo seu verdadeiro reconhecimento e proporcionar a estrutura ideal para que ele aconteça. “Nossa luta pelo reconhecimento é, na verdade, a luta pelo respeito. São quase 3 décadas de história. A Via Sacra da Rocinha é, sem dúvidas, uma voz de resistência”, conta Robson.

Serviço:
Via Sacra da Rocinha
19 de Abril, 20h
Largo do Boiadeiro
Direção geral: Robson Melo
Direção artística: André Martins

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