O Pré-vestibular Comunitário da Rocinha (PVCR) está com uma vaquinha virtual de fundos para ajudar a manter as atividades do projeto, que atende 15 alunos do morro. O objetivo é levantar R$ 10 mil para custear a distribuição de cestas básicas aos estudantes que integram o projeto, além de ajudar nos gastos de um novo espaço de funcionamento. A iniciativa não recebe recursos do governo ou empresas, mas trabalha em parceria com instituições locais.

Desde o início da pandemia de covid-19, o pré-vestibular teve de se reorganizar para dar conta das aulas remotas e não parar as atividades. Eram 28 alunos, mas as barreiras tecnológicas e os impactos da Covid-19 fizeram o número reduzir a 15. “A gente não quer perder os alunos e não queremos que eles estejam desmotivados por não conseguir acompanhar, devido à pandemia. O desafio é manter todo mundo no barco”, ressalta Maria Clara, professora voluntária de química e uma das coordenadoras do curso.

Para tentar minimizar os impactos psicológicos do distanciamento social, o projeto fez uma parceria com a iniciativa de psicólogos da Pro Estudo, de São Paulo, que ensinaram os estudantes a montar planos de estudo e a manter o foco, mesmo diante de um novo cenário. 

Impacto da educação no morro

Entre 2008 a 2019, 73 alunos foram aprovados nos exames de vestibular. Rozinete da Silva, de 57 anos, está desempregada e é aluna mais velha do PVCR. Em 2013, aos 50 anos, deu início aos estudos e começou a alfabetização; alguns anos mais tarde, concluiu o ensino fundamental e, logo depois, o ensino médio. “Eu sempre ouvia falar do pré-vestibular, mas eu tinha medo e não me sentia preparada, até que um dia eu fui, porque o meu sonho é entrar em uma faculdade.” Rozinete está em dúvida entre os cursos de pedagogia e história, do qual ela diz gostar mais. 

A dificuldade com a conexão de internet tem sido um obstáculo, porém, a aluna observa que outros sequer têm acesso à rede, o que prejudica o aprendizado, segundo ela. “Muitos não têm acesso a computador e internet e isso prejudica bastante o desempenho. Recebi uma doação de um computador, porém, ainda que eu tenha internet, tem dia que a conexão está muito ruim”, diz.

O PVCR tem cerca de 21 voluntários e 27 alunos, em média, por ano. Foto: Arquivo/PVCR

A coordenadora Maria Clara afirma que, se as aulas remotas forem mantidas, o dinheiro arrecadado servirá para oferecer chip com internet aos alunos. “Esse foi um ano difícil e bem desafiador. Fizemos a transição para o online, mas nem todos os estudantes conseguiram acompanhar por questões de ferramentas tecnológicas.” 

Como ajudar

O PVCR conta com 21 voluntários, entre professores, tutores e coordenadores, e funciona de segunda a sexta, durante o horário noturno. “Essa vaquinha vai ajudar a gente a ajudá-los a fechar esse ano. O vestibular já é um momento de muita pressão e correria, então, a gente quer mostrar que estamos juntos.” 

A ‘vaquinha’ virtual está sendo feita na plataforma Sharity. Para saber mais e ajudar, confira no link da arrecadação online: https://sharity.com.br/ajude-o-pvcr-a-buscar-um-novo-lar.

Assine nossa newsletter

Receba por e-mail informações sobre a maior favela do Brasil.

VOCÊ TAMBÉM PODERÁ GOSTAR

Deputado sugere ao governo a construção de colégio da Polícia Militar na Rocinha

Três colégios militares da PMERJ foram construídos no Rio em 12 anos

Jovem da Rocinha chega 2 minutos atrasado e é impedido de participar de seleção na UFRJ

O desabafo feito pela irmã dele, Bruna Dias, viralizou em uma rede social

Aos 58 anos, a moradora Maria Rizonete passa em faculdade pública e vira universitária

Maria Rizonete da Silva, de 58 anos, sempre chamava atenção quando saía…

Horta na Favela: projeto criado na Rocinha visa reduzir impacto ambiental

Reduzir o impacto ambiental e desenvolvimento social por meio da horticultura. É…