Os bastidores de um dos maiores eventos da Rocinha têm muito esforço de quem gosta de estar em comunidade
Junho chegou, trazendo consigo um dos períodos mais festivos do ano. É tempo de celebrar as raízes nordestinas com música, comidas típicas e, claro, o indispensável visual xadrez. Na Rocinha, essa celebração ganha um brilho especial na localidade da Fundação, onde a Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem promove, há décadas, uma das festas mais tradicionais e aguardadas da comunidade.
Neste ano, o evento acontece nos dias 5, 6, 12 e 13 de junho. Para os moradores, as datas já são presença confirmada no calendário. Com um clima familiar, a festa une diferentes gerações: dos que acompanham a celebração há anos aos adolescentes, que encontram ali um espaço seguro e próximo de casa para se divertir. Desde a chegada do Frei Toni, em 2020, essa popularidade só cresceu.
Para o Frei, a festa é fundamental tanto para a favela quanto para a igreja, já que a arrecadação é revertida para ações sociais e reparos na paróquia. “Não precisa nem de divulgação, o povo mesmo cobra. É uma tradição muito valorizada, que atrai famílias e crianças. É um serviço que prestamos à população, que, ao mesmo tempo, gera recursos para nossos trabalhos sociais”, explica.
O esforço por trás da alegria
Nos bastidores, o trabalho começa muito antes de junho. As pastorais se dividem em comissões para organizar cada detalhe: das barracas de comida à decoração — com suas marcantes bandeirinhas verde e amarela — até os ensaios da quadrilha.
Cláudio, coreógrafo da quadrilha da paróquia, dança na festa desde 1997, mas sua ligação com o evento vem de antes. Ele destaca que a dança é o ponto alto da celebração, exigindo muita dedicação. “Os adultos precisam conciliar a rotina de trabalho com os treinos, e a criançada também tem o seu momento especial”, conta.

Foto: Acervo pessoal
O grupo é aberto a todos os moradores da Rocinha; o único requisito é sentir o ritmo do forró pé de serra. Neste ano, a quadrilha dos adultos conta com 15 pares, que se apresentarão aos sábados. Para Cláudio, o voluntariado é o verdadeiro motor da festa: “É um dos momentos em que a Rocinha se reencontra. Trabalhar aqui não é apenas pela festa em si, mas pelo processo de convivência, de preparar a comida e arrumar o salão em comunidade. Ver a alegria estampado no rosto dos moradores faz todo o esforço valer a pena”.
Participe desta celebração
A Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem convida a todos para participar. O evento recebe doações de alimentos e brinquedos para reforçar suas ações sociais. Fica a dica: chegue cedo para aproveitar ao máximo! Nas sextas-feiras, a paróquia recebe quadrilhas convidadas, e aos sábados, o destaque fica com a apresentação oficial da casa. Não perca!







