
Academia de Cinema da Rocinha lança núcleo de produção para gerar renda aos alunos e fortalecer o audiovisual na favela
Academia de Cinema da Rocinha lança núcleo de produção com apoio do edital PISTA e promete transformar o audiovisual periférico

Iniciativa visa estruturar o mercado local, gerar renda para alunos e consolidar a comunidade como polo de economia criativa
A Academia de Cinema da Rocinha inaugurou seu núcleo de produção, um braço profissional da academia que visa gerar renda para os alunos da comunidade. Com o apoio do edital PISTA (Parque de Inovação Social Tecnológica Ambiental da Rocinha), o núcleo audiovisual busca uma alternativa para autofomentar as atividades da ACR. A Biblioteca Parque C4 recebeu parceiros, alunos e potenciais clientes para o lançamento.
Segundo Marcos Braz, fundador da ACR, a iniciativa promete ser um marco para o audiovisual periférico, consolidando a Rocinha como um polo de criatividade e talento.
A relação entre a Academia e o PISTA não é recente. Luciana Tristão, responsável pela incubadora do programa, conta como a Rocinha serviu de território piloto para a implementação dos parques de inovação e ressalta a importância de dar oportunidades a pessoas que não têm acesso à educação formal.
“O PISTA começou como um projeto piloto na Rocinha em 2021, e se tornou um programa de estado, expandindo para outros territórios como Cidade de Deus, Maré, Alemão e Petrópolis. A primeira rodada do edital Favela Inteligente, da FAPERJ, serviu de base para a implantação do PISTA, que já havia impulsionado projetos na Rocinha”, frisa Luciana.
Um dos resultados mais notáveis dessa parceria inicial foi o filme “Crônicas Marginais”, premiado no festival Cinéma de Femmes d’Amérique du Sud, em Paris, uma parceria entre a ACR e o trabalho fotográfico de Lux Brasilis e Ramadã Winer, conhecidos por seu projeto “Retratos Marginais”. Lux, morador da Rocinha desde 2007, fotografa pessoas que vivem nas ruas da comunidade, em situação de extrema vulnerabilidade social e invisibilidade.
“O objetivo sempre foi gerar aproximação com as pessoas longe do algoritmo. Essas pessoas não têm rede social. Vou postar para quê? O negócio é mostrar a fotografia para elas, ver como é que elas se enxergam. Você dá outro significado para a existência da pessoa”, garante Lux, após fotografar alguns personagens.

Foto: Acervo ACR
“Crônicas Marginais” é um exemplo da potência do território em produzir narrativas que fogem dos estereótipos, alcançando lugares de destaque. Lux enfatiza que o verdadeiro prêmio é o reconhecimento do trabalho e das histórias de cada indivíduo, que ao ter sua imagem registrada, tira os pés da invisibilidade.
Marcos Braz explica a importância de pensar em um audiovisual autenticamente periférico, e que, eventualmente, possa ser escalado para outras favelas. A ideia é que o núcleo esteja atrelado tanto à Academia de Cinema, para a formação, quanto à produtora 2Base Filmes, para a profissionalização e geração de renda.
Pietro Simonetti é aluno da primeira turma da Academia e um exemplo do potencial que o Núcleo de Produção busca desenvolver. Ele se considera um parceiro da ACR e ressalta a importância da criatividade e da capacidade de adaptação diante da escassez de equipamentos, uma realidade comum no audiovisual de guerrilha da Rocinha.
Para o jovem, a Academia e o futuro núcleo representam uma oportunidade de evolução e profissionalização. ”A gente tem que usar muita criatividade, tem que ser dinâmico mesmo quando o orçamento é zero. E, no caso da Rocinha, a gente tem que estar com o ‘sentido aranha’, o visual não pode estar fixo, tem que estar contemplando tudo.”.
Embora o núcleo ainda não tenha alunos formalmente cadastrados, já existem pessoas em uma “fila de espera” e um banco de talentos que será usado para as primeiras seleções. A ideia é traçar um perfil dos alunos para amplificar o impacto social, mirando em pessoas com maior dificuldade e interesse.
*Esta matéria é fruto da parceria entre a disciplina de Extensão em Jornalismo e Cidadania, do curso de Comunicação da PUC-Rio, ministrada pela professora Lilian Saback, e o jornal Fala Roça.





