Alunos enfrentam falta de mediadores em escolas da Rocinha

Na Rocinha, mães denunciam a ausência de mediadores e o impacto direto na educação de alunos com deficiência.

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Na Rocinha, mães denunciam a ausência de mediadores e o impacto direto na educação de alunos com deficiência.

“Eu sinto minha filha excluída dentro da própria escola. Parece que somos invisíveis quando se trata do direito de estudar e aprender”, expõe Maiara Santos, de 35 anos, mãe atípica moradora da Rua 1. Ela, com outros responsáveis, criou um grupo de WhatsApp este ano para mobilizar e reivindicar mediadores para crianças com deficiência na Escola Municipal André Urani, no Umuarama, parte alta da Rocinha.  

Os mediadores escolares são profissionais responsáveis por acompanhar estudantes com deficiência nas atividades pedagógicas, oferecendo suporte para facilitar o processo de aprendizagem. Toda criança com deficiência, seja intelectual, física, sensorial ou mental, tem direito a esse acompanhamento, desde que a necessidade de apoio seja devidamente comprovada.

Sem o apoio adequado, os responsáveis permanecem dentro da sala de aula para auxiliar os filhos. Relatos no grupo de WhatsApp apontam também a redução da carga horária dos estudantes, a ausência de suporte e falta de conteúdo adaptado para realização das atividades escolares. 

“A minha filha já passa 24 horas comigo, seria bom que na escola ela pudesse ficar sozinha. Seria um descanso para mim e pra ela, uma nova descoberta, saber que é capaz de ficar dentro da escola sem eu estar lá o tempo todo.”.

Maiara Santos, mãe atipica da Rocinha

Diante disso, algumas famílias chegam a pagar do próprio bolso por alguém que acompanhe a criança, enquanto outras mães abrem mão de oportunidades de trabalho para permanecer na escola durante o período das aulas, garantindo o suporte educacional aos filhos.

Maiara Santos, desde 2022 espera por mediador escolar para filha de 12 anos. Foto: Karen Fontoura

 “A gente sente na pele, a gente vê o desprezo e o descaso, porque o prefeito não quer gastar pra disponibilizar um profissional. É um mediador para 20 alunos, eles ficam dispersos, fora da sala de aula, sem participar das atividades”, denuncia Silvania Vieira, mãe atípica do grupo.

De acordo com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, de fevereiro de 2025 a fevereiro de 2026, “só na capital foram registrados 1.016 pedidos relacionados à oferta de mediador escolar para pessoas com deficiência”. O dado revela a dimensão de um problema que compromete o direito à inclusão no Rio de Janeiro. 

Em 2024, a falta de mediadores já era vista por Eduardo Paes, que era candidato à reeleição da prefeitura do Rio: “Estamos muito atentos à questão dos mediadores. Queremos passar de um mediador para quatro alunos para um mediador para três alunos, o que fará termos mais mediadores nas salas das escolas municipais”, afirmou Paes. 

Durante a reportagem, a Secretaria Municipal de Educação, a 2ª Coordenadoria Regional de Educação e o Instituto Municipal Helena Antipoff, órgão responsável pela implementação da política nacional de educação  especial, foram contatados, mas não responderam a solicitação de informação sobre à falta de mediadores na Rocinha. 

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