
Rapper haitiano, Wyclef Jean, faz show histórico e gratuito na Rocinha
Rapper haitiano, Wyclef Jean, faz show histórico e gratuito na Rocinha
Cantor e produtor musical haitiano ganhou destaque internacional na década de 1990
Um dos ícones mundiais do hip-hop Wyclef Jean fez um show histórico e gratuito na Via Ápia, na Rocinha, para moradores e turistas que visitavam a favela neste domingo (7/6). O evento foi organizado pela Associação de Moradores da Rocinha. O cantor e produtor musical haitiano ganhou destaque internacional na década de 1990 como um dos fundadores do lendário grupo de hip-hop The Fugees.
A apresentação aconteceu um dia depois de o artista se apresentar no Global Citizen Live Rio, na Enseada de Botafogo, que contou ainda com shows de Lauryn Hill, YG Marley, Zion Marley e da cantora brasileira Ludmilla. Os shows encerraram a primeira edição da Rio Nature & Climate Week. A participação de Lauryn Hill, considerada uma das maiores referências do hiphop mundial, era aguardada pelos moradores, mas a artista não esteve presente no evento.
Horas antes do evento, Wyclef Jean fez um passeio pela Rocinha, acompanhado por membros da associação de moradores. Ele visitou algumas localidades, como o campo de futebol da Vila Verde. Em cima de uma laje, o cantor gravou um vídeo descontraído ao lado de moradores, convidando a população local para o show. “Isso não é fake news. Temos toda a festa preta descendo na favela. Estou aqui com os garotos de verdade. Temos toda a cultura negra, todas as festividades negras”, disse.
Já na Via Ápia, em entrevista exclusiva ao Fala Roça, ele disse:”Estou feliz por estar aqui na Rocinha e vir aqui hoje foi como estar em Croix-de-Bouquet (comunidade do Haiti onde Wyclef Jean nasceu), foi perfeito. Todo rapper do mundo vem da comunidade, foi muito confortável estar aqui, porque, sabe, às vezes é tão grande que as pessoas ficam muito acomodadas. E é de lá que eu vim. Somos da Jamaica, do Caribe, do Brasil, mas é de onde viemos, somos iguais, estamos juntos. Temos lutas, triunfos e só estamos tentando sobreviver. Não somos pessoas violentas, sabe? E isso aqui é o que chamamos de amor.”.
A relação do rapper, reconhecido internacionalmente por sua trajetória na música e por projetos sociais ao redor do mundo, com a favela começou em maio deste ano. Durante sua passagem pela comunidade, o artista percorreu diversos pontos importantes, conheceu de perto a realidade local e vivenciou a essência, a cultura e a energia da Rocinha.
Wyclef Jean visitou a quadra de samba da Acadêmicos da Rocinha, onde teve contato com a tradição do samba, conheceu fantasias da escola e viveu de perto a vibração da cultura carnavalesca carioca. Em um momento descontraído, acompanhou apresentações, entrou no clima da bateria e mergulhou na alegria que faz parte da identidade da comunidade. Em seguida, esteve em uma laje onde conheceu o projeto Acorda Capoeira e acompanhou de perto a força cultural e social da modalidade. Encerrando a agenda, visitou um projeto de muay thai, observando o trabalho desenvolvido com crianças e jovens por meio do esporte, da disciplina e da transformação social.
O diretor de Projetos e Relações Institucionais da Associação de Moradores da Rocinha, William de Oliveira, acompanhou a passagem de Wyclef por projetos sociais e observou a identificação. O artista compartilhou que ficou impressionado com a alegria das pessoas, a criatividade da comunidade e a riqueza cultural. Para William, o orgulho se estende enquanto liderança, morador e pai, visto que sua filha também participou da interlocução e tradução com Wyclef.
“Wyclef Jean é um homem negro, nascido em uma realidade semelhante à de muitomoradores das favelas brasileiras, e isso criou uma identificação muito forte com a Rocinha. Ele comentou diversas vezes sobre a energia positiva do território e sobre como a Rocinha possui uma identidade própria, vibrante e inspiradora. Ao contrário da imagem que muitas vezes é construída por quem não conhece a favela, ele encontrou um lugar cheio de talentos, histórias de superação, empreendedorismo, arte e solidariedade”, afirma William





