Eu sempre ouvi pessoas dizendo que todas as favelas são iguais. Mas eu discordo totalmente dessa afirmação. Cada favela tem sua própria história, suas próprias características e suas próprias necessidades. E não é só isso. Em uma mesma favela, existem diversas sub-localidades que podem apresentar diferenças significativas entre si. 

E é exatamente isso que acontece na Rocinha, uma das maiores favelas da América Latina. A Rocinha completa 30 anos como bairro em junho deste ano. 

Com uma história que remonta ao final da década de 1920, a Rocinha cresceu de forma desordenada e se multiplicou de forma desigual ao longo das décadas.  Atualmente, a favela é dividida em 26 setores, cada um com suas próprias particularidades. Na parte baixa, as demandas são diferentes da parte alta, por exemplo.

Muitas vezes, as pessoas que vivem há anos em uma determinada área da Rocinha não conhecem outras partes da favela. Elas criam suas próprias vivências dentro de sua área de atuação. O acesso também pode ser desigual, com algumas áreas sendo acessadas apenas a pé, enquanto outras podem ser alcançadas por meio de transporte público ou privado.

Porém, toda essa diversidade pode trazer suas próprias dificuldades. Morar na Rocinha pode ser muito diferente, dependendo de onde se vive. A localidade mais alta da Rocinha, chamada Laboriaux, por exemplo, inspirou meu colega e jornalista Osvaldo Lopes a falar sobre como é morar na localidade mais alta da Rocinha no ano passado.

“Existe um lugar na Rocinha onde muitos moradores nunca foram. Tem aqueles que já ouviram falar, já foram uma ou duas vezes. É considerado por alguns moradores um paraíso, um refúgio, quase um oásis em meio a agitação da favela. Chama-se Laboriaux, a localidade mais alta da Rocinha com cerca de 4 mil habitantes.”, escreveu.

Por isso, é crucial entender a realidade da Rocinha e seus moradores. Favela não é tudo igual, e muito menos a Rocinha é igual em sua totalidade. Para celebrar os 30 anos do bairro, é importante pensar nas múltiplas Rocinhas que existem, já que a favela está em constante crescimento. 

Precisamos olhar com mais atenção para cada sub-bairro e entender suas necessidades específicas. Somente assim poderemos criar soluções que atendam a todas as partes da Rocinha de maneira justa e igualitária.

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