Lideranças comunitárias de favelas do Rio de Janeiro participaram de um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã de quinta-feira (7/7), no Rio de Janeiro, para contribuir com o plano de governo do petista.

Os principais pedidos dos moradores foram ações de combate à fome, redução da letalidade policial nos territórios, fortalecimento da cultura, além de obras de urbanização.

A ex-agente comunitária de saúde e moradora, Antônia Emiliana de Freitas Gomes, a Dona Antônia entregou uma carta produzida por moradores que participam dos movimentos comunitários da Rocinha.

A carta é assinada pelas organizações Movimento Rocinha Sem Fronteiras, Brigadas Populares, Amigos do Parque Ecológico da Rocinha (APER) e pelo arquiteto e urbanista Luiz Carlos Toledo.

Leia a carta entregue a Lula:

Companheiro Lula,

Dentre as diversas obras de caráter estrutural que a Rocinha necessita, as obras de saneamento básico são prioritárias. Assim definimos nós, moradores reunidos em torno do Movimento Rocinha Sem Fronteiras, como nossa pauta unificada de lutas.

A Rocinha é uma comunidade cujos primeiros registros datam de 1920. Constituída por mais de 120 mil moradores, predominantemente trabalhadores nordestinos, localiza-se na zona sul do Rio de Janeiro entre os bairros São Conrado e Gávea.

Na década de 70, algumas poucas intervenções de obras de drenagem de valas e distribuição d’água se deram por meio de parceria firmada entre a CEDAE e moradores da favela, mas não surtiram o efeito desejado devido à defasagem entre o ritmo de crescimento demográfico da favela e a tímida rede de benfeitorias obtidas por meio daquele acordo.

Em 2007, no âmbito do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), a Rocinha passou por várias intervenções não tendo, no entanto, sido comtemplada com obras de saneamento básico. Ainda não concluídas estas primeiras intervenções, em 2014, deu-se início a um novo projeto de obras do mesmo PAC que não foi adiante devido à falta de acordo entre moradores que defendiam a urgência de obras de infraestrutura de saneamento básico e outros que defendiam a necessidade de acesso a localidades distantes e altas da favela via instalação de um teleférico.

No início de 2020, o então governador Wilson Witzel, lançou o Programa de Comunidade Cidade na Rocinha. Este programa previa um conjunto de obras a serem concluídas até o ano de 2025, com investimento de dois bilhões de reais, que implicaria a criação de vários postos de trabalho para moradores trabalhadores locais. Mas o atual governador Claudio Castro, paralisou as obras sem nos dar satisfação. Prometeu para 2021 a retomada do projeto de instalação do plano inclinado, o teleférico, mas esta promessa nunca saiu do papel.

Hoje, o conjunto dos moradores unificados acerca da urgência da necessidade de implementação de uma rede de saneamento básico que atenda a todas as residências, levando dignidade, saúde, maior expectativa de vida a nós todos moradores e nossas famílias, filhos, netos, pais avós, reivindicamos ao companheiro Lula a implementação de obras abrangentes de infraestrutura de saneamento básico na maior favela da América Latina. Nossos filhos poderão desta forma, com dignidade, mostrar a seus colegas e demais conhecidos “do asfalto”, sem medo de ser feliz, suas ruas, as casas onde moram, seus lares, o chão por onde pisam e por onde, no momento presente, é derramado o esgoto malcheiroso, triste retrato do abandono com o qual o poder público tem vem nos tratando ao longo dos anos.

Por fim, clamamos que a Rocinha seja incluída em algum projeto de cidadania, que certamente será a marca indefectível de seu governo, para o qual desejamos todo êxito e ao qual agradecemos, desde já, o olhar parceiro e os laços de fraternidade.

Abraços fraternos, companheiro Lula!

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