Reduzir o impacto ambiental e desenvolvimento social por meio da horticultura. É o que faz o projeto Horta na Favela, criado há três anos pelo morador Flávio Ismael. A iniciativa nasceu a partir de um mutirão para a construção de uma casa para um senhor chamado Daniel. Foi então que Flávio decidiu fazer a primeira horta na laje de uma moradora e, desde então, o projeto cresceu, mesmo sem patrocínio.

“Minha luta é, e sempre será contra a desigualdade social. E se um homem pode sonhar em chegar à Lua, junto podemos sonhar em acabar com essas mazelas. O Horta vai além do nome. Atualmente, por exemplo, eu pago o aluguel de um lugar onde será o nosso espaço e, além disso, teremos um ambiente literário para estimular a leitura em nossas crianças”, afirmou o eletricista e jardineiro que, além dessas ocupações, trabalha como diarista para pagar o aluguel do futuro espaço. 

Durante esses anos, Flávio e seus ajudantes, que idealizaram o projeto após observarem as dificuldades da Rocinha, construíram três hortas em lajes na favela. E, além do ambiente físico, o jardineiro compartilha seus ensinamentos e atividades nas redes sociais. Em uma das publicações feitas no Instagram do Horta na Favela, Flávio ensinou a fazer um remédio caseiro para o controle de pragas. 

Terreno na Rocinha com horta e sistema de irrigação das plantações valoriza a horticultura. Foto: Arquivo/Flavio Ismael

“Acabamos com a fumagina, um fungo, causado pelas conchonilha, que escurece todas as folhas das plantas. Para isso, usamos uma tampinha de álcool, uma de detergente e uma de óleo de nim. Pode ser óleo comum ou um copinho de sabão de côco ralado com um litro d’água em um pulverizador ou borrifador. Caso seja planta de grande porte, pode usar uma bomba maior e respeitar a medida”, ensinou o jardineiro na legenda da foto.

A pesquisadora e ativista Magda Gomes, de 26 anos, é sobrinha de Flavio e participou da construção do projeto. Para ela, a sustentabilidade é um tema importante a ser abordado na favela. 

“O debate sobre meio ambiente e horticultura é o futuro presente e pouco se tem falado e fomentado sobre esse tema. Por isso, gerar essa possibilidade para os moradores da Rocinha, principalmente para as crianças, é observar que estamos próximos  e que  vamos cada vez mais romper com essa lógica de que a favela não discute sustentabilidade. A importância do Horta na Favela está na urgência”, declarou. 

Com três empregos, Flavio tem como meta alugar um espaço na favela para ampliar o alcance do projeto. Foto: Arquivo/HNF

Aos 46 anos, Flávio, que atua diretamente com cerca de 70 crianças, se sente motivado a continuar com o projeto por muito tempo. Para ele, essa é uma forma de reduzir as desigualdades do país.

“Começamos um trabalho de consciência ambiental com crianças da parte alta e a ideia é que possamos levar uma horta para cada uma delas. Além disso, construímos uma composteira e, com ela, estamos retirando mais de 100 quilos de resíduos do meio ambiente e transformando lixo em adubo orgânico. Acredito que no futuro, iremos retirar da favela toneladas de lixo e transformar os locais em hortas, trazendo qualidade de vida para as nossas crianças e toda a comunidade”, completou.

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