Trinta anos separam a vacina contra a covid como protagonista na contenção da maior pandemia de todos os tempos e a luta para tornar a vacinação  um direito universal. Se hoje, fakenews e o negacionismo colocam indivíduos e saúde em linhas opostas, três décadas atrás o povo entendeu a vacinação como aliada, aderindo em massa as campanhas.

Para engajar os moradores a recorrerem às unidades de saúde, o Rocinha pela Vida prevê  a presença de especialistas em saúde, agentes comunitários de saúde locais (ACS) e moradores que lutaram em campanhas por vacinas na Rocinha nas décadas 80 e 90 em lives realizadas até abril do ano que vem.

A primeira delas ocorreu com a participação de Dona Antônia Freitas, uma das primeiras agentes de saúde comunitária nos anos 80 e 90;  Antônio Firmino, membro fundador do Museu Sankofa; Tânia Rodrigues, diretora-executiva da ONG Rocinha XXI; e Isabel Azevedo, consultora na área de popularização da ciência. 

“Queremos resgatar a memória dos mutirões e campanhas históricas da Rocinha por direitos humanos e bem-estar social, particularmente da saúde com foco na vacinação. A ideia é convidar as jovens lideranças e moradores a se reunirem em torno das histórias do movimento popular no território àqueles que lutaram no passado para conquistar os equipamentos públicos de saúde, educação, saneamento, urbanização e cultura que hoje existem no morro. E esquentar as lembranças sobre o sucesso das campanhas de enfrentamento de doenças no passado (sarampo, varíola, rubéola e outras) à necessária mobilização para a continuidade da contenção da COVID-19, sobretudo com a chegada das festas de fim de ano”, explica Firmino. 

Segundo um levantamento do Fala Roça realizado no primeiro semestre desse ano, até abril, 4.136 mil moradores ainda não haviam tomado a segunda dose da vacina contra o coronavírus. A pesquisa foi baseada em informações do Plano Nacional de Imunização e em dados dos 4 postos locais de vacinação: UPA, o CMS Alberto Sabin, as clínicas da família Marta Socorro e Rinaldo De Lamare. 

Outra frente de mobilização do projeto é o combate às fake news. Serão divulgados cartazes e banners junto ao comércio formal e informal em vielas e becos da favela, com frases de impacto e com destaque à importância de informações e dados de fontes seguras. Segundo moradores, a influência da postura negacionista que igrejas exercem sob os  fiéis é um dos maiores obstáculos à abrangência das vacinas. Jovens que atuarão como facilitadores do projeto serão responsáveis por substituir o material de informação a cada 2 semanas e conversar com os trabalhadores e clientes do comércio sobre este tema.

Já o Museu Sankofa exibirá documentos, abaixo-assinados, fotos, notícias, músicas das reivindicações e vitórias que trouxeram qualidade de vida e saúde para as famílias da Rocinha. O livro “Varal de Lembranças: histórias da Rocinha”, da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha, publicado em 1983, organizado por Lygia Segala, Antonio Oliveira Lima e Tânia Regina da Silva, será o fio condutor das narrativas.

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