A academia R1, na parte baixa da Rocinha, é a segunda casa de Marco Antônio Costa de Oliveira. Marcão da R1, como é conhecido, dedicou 19 anos ao clube. Nascido e criado na Rocinha por uma mãe solo, sua ligação com a favela é tão forte que ele afirma não conseguir se imaginar morando em nenhum outro lugar. 

Formado em Educação Física na Gama Filho, o educador físico conseguiu a oportunidade através do quartel. Nos tempos de serviço militar, segundo Marco Antônio, foi onde adquiriu a disciplina e aprendeu sobre horários e responsabilidades que carrega desde então. “Todo adolescente deveria passar pelo quartel para aprender sobre a existência de regras tanto dentro como fora de casa.”, avalia.

A transformação de Marco Antônio em Marcão ocorreu durante seu envolvimento com a academia Colaros, em 1998, localizada em cima do antigo depósito da Coca-Cola (atual drogaria Pacheco), na Via Ápia. Nessa época, Marcão era estagiário de Educação Física. Embora fosse menor do que as academias de hoje em dia, a estrutura e organização da Colaros eram notáveis nos anos 90. 

Foi nesse contexto que o educador físico começou a trabalhar com o público feminino, pois acreditava na fidelidade das mulheres, não apenas em seus relacionamentos pessoais, mas também em relação ao seu treinador pessoal. 

Ele se tornou conhecido como Marcão, à medida que seu físico se fortalecia e sua reputação crescia. Marcão atribui muito do seu sucesso às suas alunas, que divulgavam seu trabalho e foram responsáveis por criar a identidade que ele possui hoje. Antes do estágio, trabalhou como office boy e segurança terceirizado.

Em 2001, Marco Antônio passou a trabalhar na Academia FM, na Curva do S, durante 2 anos. Até chegar na Academia R1, em 2004, através do convite feito por seu amigo de infância, Luiz Claudio, o Claudinho da Academia, para montar a academia. No início, ele não acreditava muito, mas quando os equipamentos começaram a chegar, sua confiança aumentou. Ele menciona que a primeira academia era chamada de Zytrax, demonstrando a evolução ao longo do tempo. Zytrax durou 1 ano. Uma nova sociedade foi criada e surgiu a academia R1.

Marco Antônio já passou por inúmeras academias que fizeram parte da história da Rocinha. Fotos: Michel Silva

A primeira academia, Zytrax, teve um papel fundamental na trajetória de Marcão. Ele relembra que Arumani, um lutador, foi o primeiro sócio de Claudinho, mas não se manteve por muito tempo. Em seguida, Gabriel Andreata entrou em cena e sentou-se com Claudinho, resultando em uma nova parceria. Gabriel trouxe uma renovação para a academia, contribuindo com suas habilidades administrativas e visão futurística.

Claudinho, confiante na experiência de Gabriel, decidiu dar a Marcão a responsabilidade de montar a equipe. Essa designação foi um desafio para o profissional, pois nunca havia desempenhado esse papel antes. 

“Eu chegava em casa e ficava desesperado pensando em como eu fazia isso diferente, como montar quadro de horário, escolher pessoas porque eu nunca tinha feito aquilo”, comenta.

Marcão é frequentemente confundido como o dono, ele é, na verdade, é o coordenador geral da academia. Sua presença marcante na divulgação da R1 fizeram com que ele se tornasse o “garoto propaganda” da academia, contribuindo para essa falsa impressão.

Festas da academia marcaram gerações

Os aniversários de Marco Antônio sempre foram momentos especiais desde os tempos da academia Colaros. Naquele cenário, ele se reunia com os alunos, além de Francisco e DJ JF, seu fiel companheiro, um DJ em ascensão na época. Juntos, organizavam aulas especiais e comemorativas, proporcionando momentos de diversão e energia para todos. 

Marcão aproveitava essas ocasiões para celebrar seu próprio aniversário junto aos alunos, criando uma atmosfera única. Essa tradição foi preservada quando ele ingressou na academia R1, porém, com a mudança de proporção, os aulões de aniversário ganharam ainda mais magnitude, refletindo o crescimento e sucesso contínuo de Marcão em sua jornada fitness.

“Eu tive que acompanhar o crescimento da academia, então não é era o aulão, mas aí começou a ter as festas, mas só que as festas a gente fazia na proporção menor, a gente fazia até na laje aqui da academia […] a festa começou a tomar proporção e levamos para o Clube Emoções”, lembra citando algumas atrações como Mumuzinho, Belo e MC G15. A Academia R1 foi o único centro esportivo que conseguiu fazer festas que atraíam cerca de 5 mil pessoas por edição.

Marcão expressa sua gratidão pela nova geração de estudantes de Educação Física que passaram pela R1 e o ajudaram ao longo do tempo. Ele ressalta a reciprocidade desse relacionamento, pois ele também foi capaz de ajudá-los, aproveitando sua experiência e conhecimento como alguém mais antigo na área.

“Conheci muitas pessoas incríveis ao longo dessa jornada, e hoje tenho boas amizades com todos que passaram por aqui, mesmo que não estejam mais presentes fisicamente. Eles se tornaram grandes amigos, e a convivência com essa galera foi uma experiência valiosa de aprendizado, tanto nas situações positivas quanto nas negativas. Até hoje, mantenho essa relação de paizão com eles.”, finaliza.

Assine nossa newsletter

Receba uma curadoria das nossas reportagens.

VOCÊ TAMBÉM PODERÁ GOSTAR

Livro sobre história de moradora da Rocinha criada por prostituta é lançado

“Tá vendo ali? Tudo aquilo é meu”, aponta Lindacy Fidelis da Silva…

Maria Helena: a enfermeira que cresceu com a Rocinha

“Servir a Rocinha é uma conquista. Sou nascida e criada aqui, em…

Mães solo: histórias e batalhas de 3 mulheres da Rocinha

Mais de 8 mil crianças nasceram com pais ausentes nos últimos 10 anos

Quem é Yago Mapoua, influenciadora digital e cria da Rocinha

Carioca, nascida e criada na Rocinha, Yago Mapoua, não planejava virar influencer…