A trajetória de Raí Silva na transformação do exercício físico na Rocinha

Conheça Raí Silva, coordenador da R1, que transformou a musculação e a corrida em saúde e acolhimento na Rocinha.

Conheça Raí Silva, coordenador da R1, que transformou a musculação e a corrida em saúde e acolhimento na Rocinha.

Natural da Paraíba e morador da Rocinha desde 1996, Raí Silva, de 47 anos, construiu uma trajetória exemplar de superação e dedicação ao esporte, consolidando-se como uma das principais referências em educação física, corrida e musculação no Rio de Janeiro. Após chegar à comunidade aos 17 anos para trabalhar no setor de alimentação e buscar o sonho de cursar uma faculdade, Raí superou as dificuldades, concluiu os estudos e ingressou no curso de Educação Física na Universidade Estácio de Sá, e Pós-Graduado em Treinamento de Força e Reabilitação de Lesões, movido pela paixão inicial pelo futebol. Sua história cruzou com a da Academia R1, no Trampolim, onde começou como estagiário em 2010 e assumiu a coordenação geral em 2018. Hoje, ele lidera projetos de impacto comunitário, como o grupo de corrida aos sábados, promovendo saúde, inclusão e oportunidades de trabalho para centenas de moradores e estudantes da favela.

“Eu vim para cá muito novo, com 17 anos, com o sonho de trabalhar e fazer uma graduação. Como joguei futebol por muito tempo, sabia que, se não me tornasse jogador, queria trabalhar com preparação física e esporte. Quando tive a oportunidade de estagiar na R1, vi que era ali que eu podia transformar não só a minha vida, mas a de muitas pessoas da comunidade através do movimento e do cuidado.” — Raí Silva, Coordenador da Academia R1.

Raí se tornou referência em educação física na Rocinha.
Foto: Acervo Pessoal

Natural da Paraíba e morador da Rocinha desde 1996, Raí Silva, de 47 anos, construiu uma trajetória exemplar de superação e dedicação ao esporte, consolidando-se como uma das principais referências em educação física, corrida e musculação no Rio de Janeiro. Após chegar à comunidade aos 17 anos para trabalhar no setor de alimentação e buscar o sonho de cursar uma faculdade, Raí superou as dificuldades, concluiu os estudos e ingressou no curso de Educação Física na Universidade Estácio de Sá, e Pós-Graduado em Treinamento de Força e Reabilitação de Lesões, movido pela paixão inicial pelo futebol. Sua história cruzou com a da Academia R1, no Trampolim, onde começou como estagiário em 2010 e assumiu a coordenação geral em 2018. Hoje, ele lidera projetos de impacto comunitário, como o grupo de corrida aos sábados, promovendo saúde, inclusão e oportunidades de trabalho para centenas de moradores e estudantes da favela.

“Eu vim para cá muito novo, com 17 anos, com o sonho de trabalhar e fazer uma graduação. Como joguei futebol por muito tempo, sabia que, se não me tornasse jogador, queria trabalhar com preparação física e esporte. Quando tive a oportunidade de estagiar na R1, vi que era ali que eu podia transformar não só a minha vida, mas a de muitas pessoas da comunidade através do movimento e do cuidado.”

Raí Silva, Coordenador da Academia R1.

Sétimo de dez irmãos, Raí deixou a região próxima a Guarabira, na Paraíba, incentivado por um irmão que já residia na Rocinha. Sem ter concluído o ensino fundamental, ele começou a trabalhar imediatamente como ajudante de garçom e garçom em restaurantes do Baixo Leblon. Contudo, o desejo de mudar de vida o fez focar nos estudos ainda mais, conciliando a rotina exaustiva de trabalho noturno com as salas de aula. O amor de infância pelo futebol — em que atuava como lateral-direito e meia ponta — serviu como combustível para escolher a Educação Física. Ao ingressar no ensino superior, precisou equilibrar estágios, jornadas de trabalho e a vida familiar para pagar a faculdade e o aluguel, mantendo vivo o laço com as suas raízes e com a comunidade onde estabeleceu sua residência ao longo das últimas três décadas.

Raí se reencontrou na corrida de rua, uma prática que não abre mão de fazer e motiva novos praticantes sempre que pode.
Foto: Acervo pessoal

A história de Raí na Academia R1 começou em meados de 2010, quando sua sobrinha o apresentou ao então coordenador Marcão, garantindo sua primeira oportunidade como estagiário na musculação e no spinning. Ele permaneceu na unidade até 2015, ano em que se formou e recebeu um convite para coordenar uma academia dentro do hotel Royal Tulip, em São Conrado. A passagem pelo setor hoteleiro durou até maio de 2018, quando o empreendimento mudou de gestão. Sabendo da novidade, o gestor da R1, Gabriel, prontamente o convidou de volta para a Rocinha, desta vez para assumir a coordenação geral do espaço. Desde maio de 2018, Raí permanece à frente da R1, liderando a equipe técnica, gerenciando a rotina operacional e consolidando a academia como um espaço familiar e acessível.

“Existe um diferencial no nosso trabalho que vai além do treino técnico: é o carinho, a atenção e o olho no olho. Diversos alunos chegam até mim dizendo que a R1 mudou a rotina deles, que encontraram aqui um refúgio para o estresse é um lugar onde se sentem realmente acolhidos e cuidados por toda a equipe.” — Raí Silva.

Esse sentimento é corroborado diariamente pelos frequentadores da academia. Alunos destacam que a presença de Raí no salão de musculação e no comando do grupo de corrida de rua aos sábados transmite segurança, disciplina e uma atenção personalizada difícil de encontrar em redes comerciais. Para os praticantes da comunidade, o coordenador é tido como um divisor de águas, transformando o exercício físico em uma ferramenta contínua de bem-estar mental, prevenção de saúde e incentivo à superação pessoal.

Aos sábados, parte dos alunos da Academia R1 se encontram na orla de São Conrado para praticas esportivas externas.
Foto: Academia R1

Pioneira e símbolo de resistência na Rocinha, a Academia R1 completa 22 anos de existência em 2026. Localizada na tradicional área do Trampolim, a instituição atende atualmente mais de 1.800 alunos e mantém funcionamento ininterrupto de domingo a domingo. Mais do que um centro de treinamento físico, a R1 consolidou-se como o primeiro contato profissional e campo de estágio essencial para inúmeros moradores e estudantes de Educação Física da favela, funcionando como um verdadeiro polo de formação de talentos locais para o mercado de trabalho do Rio de Janeiro.

O caminho acadêmico e o primeiro encontro com a R1

Conquistar uma vaga no curso de Educação Física na Universidade Estácio de Sá foi a vitória de um campeonato pessoal, mas a rotina seguinte exigiu resiliência em dose dupla. Para custear os boletos da faculdade, o aluguel no morro e os custos de vida, Raí desdobrava-se entre turnos de trabalho, horas de estudo e estágios supervisionados.

Foi nesse cenário de constante superação, em meados de 2010, que sua vida cruzou definitivamente com a da Academia R1. Por intermédio de sua sobrinha, Raí foi apresentado ao então coordenador da unidade, Marcão, que enxergou de imediato o brilho no olhar e a vocação humana daquele estudante paraibano. Aceito como estagiário, ele começou a atuar nas áreas de musculação e spinning, conquistando rapidamente o respeito dos alunos pelo cuidado técnico e pela empatia contagiante. Durante cinco anos, Raí construiu sua identidade profissional dentro da R1, aprendendo a escutar as dores, angústias e alegrias da população local.

Esquerda para direita: João Paulo, coordenador, Marcão diretor e Raí coordenador.
Foto: acervo pessoal

A lapidação profissional e o retorno às origens

Em 2015, com o diploma de graduação finalmente em mãos, Raí encerrou seu ciclo inicial de estágio ao receber uma prestigiada proposta de trabalho: assumir a coordenação da academia de ginástica localizada no luxuoso hotel Royal Tulip, em São Conrado. A experiência no setor hoteleiro de alto padrão, bagagem administrativa refinada, postura executiva e novos aprendizados sobre gestão de pessoas e atendimento personalizado trouxe ainda mais bagagem ao profissional.

No entanto, o laço de Raí com a Rocinha continuava pulsando forte. Quando o hotel passou por uma reformulação corporativa em maio de 2018, o gestor geral da R1, Gabriel, não perdeu tempo e entrou em contato com Raí, propondo-lhe o retorno à favela — agora não mais como estagiário, mas como coordenador da academia. O regresso ao Trampolim foi celebrado com entusiasmo por antigos alunos e colegas, marcando o início de uma era de ouro na gestão do espaço.

“Sempre digo para a nossa equipe que o morador da favela enfrentará muitas portas fechadas e estresses ao longo do dia. Quando ele passa da roleta da R1 para dentro, ele precisa encontrar um oásis. O nosso diferencial não está somente na sofisticação das máquinas, mas no abraço sincero, no ‘bom dia’ chamando pelo nome e no cuidado técnico humanizado. Ver um aluno superar a depressão, diminuir seus remédios ou completar sua primeira corrida de rua com a nossa camisa é o maior pagamento que posso receber.” — Raí Silva.

Essa filosofia de acolhimento transborda diariamente nas falas dos alunos e alunas da R1. Para a comunidade, Raí não é apenas o homem que corrige a postura no agachamento ou planeja o treino semanal de corrida; ele é a figura amiga que transmite segurança e escuta ativa. Alunos relatam que a atmosfera criada por Raí transforma a academia em um refúgio terapêutico contra a ansiedade e o cansaço do trabalho, fortalecendo a autoimagem dos moradores e ensinando que o cuidado com o corpo é, sobretudo, um ato de amor-próprio e dignidade.

Academia R1: 22 Anos de história e impacto na Rocinha
Completando 22 anos de história em 2026, a Academia R1 ergue-se no setor do Trampolim como um verdadeiro patrimônio afetivo e social da Rocinha. Atendendo de domingo a domingo a mais de 1.800 alunos matriculados, a instituição consolida-se como a maior e mais tradicional academia comunitária da região.

Com o auxílio  de Raí Silva, a R1 expandiu drasticamente sua missão social, funcionando como o principal celeiro de formação de novos talentos da favela. É ali que dezenas de jovens estudantes de Educação Física da Rocinha encontram a primeira oportunidade de estágio, recebendo mentoria direta de Raí e outros profissionais e reaprendendo a aplicar o conhecimento acadêmico com sensibilidade social. Assim, a R1 não apenas cuida da saúde física dos frequentadores, mas gera renda, qualificação profissional e perspectiva de futuro para a juventude local.

Um olhar para o futuro: legado e expansão esportiva

Sem dar sinais de desaceleração, Raí Silva olha para os próximos anos com o mesmo entusiasmo de quando chegou ao Rio de Janeiro nos anos 90. Entre os seus projetos prioritários está o fortalecimento contínuo da assessoria de corrida de rua da R1, iniciativa que vem ganhando as ruas do Rio de Janeiro aos sábados pela manhã e integrando atletas da favela a grandes provas e maratonas pela cidade.

Além disso, o coordenador planeja ampliar parcerias sociais para atender idosos e jovens em situação de vulnerabilidade, reafirmando o compromisso de que a prática esportiva na Rocinha deve ser gratuita, democratizada e inclusiva. Através do seu trabalho incansável, Raí Silva prova dia após dia que o esporte tem o poder mágico de atravessar fronteiras, curar feridas e construir pontes sólidas de cidadania no coração da comunidade.

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