Não há dúvida que os podcasts são o assunto do momento. Mas, agora, a Rocinha ganhou um podcast para chamar de seu, que já está bombando nas redes sociais: o RocinhaCast, um fenômeno do morro idealizado por dois crias da Rocinha: Igor Germano, de 31 anos, e  Ruan Honório, de 29. 

Com uma nova forma de comunicar e contar histórias, o podcast transformou a comunicação mundial pela facilidade de produção e veiculação em diferentes plataformas  na internet de streaming de áudio e vídeo, além das redes sociais. O Rocinhacast, por exemplo, tem conteúdo publicado na íntegra no canal do Youtube e usa o Instagram para divulgar os melhores momentos do programa. 

“Pesquisei muito antes de realizar essa ideia e é claro que o PodPah me inspirou muito. Resolvi chamar o Ruan, que é parceiro, para tocar isso comigo e na mesma hora ele veio junto. A minha favela é o mundo. Tem assunto para tudo aqui e temos muitos talentos também. A ideia é diversificar e mostrar tudo e todos em um papo descontraído mesmo sem essa formalidade toda. Rocinha é só coisa boa e o podcast veio para registrar isso também”, conta Igor Germano. 

Igor Germano, 31 anos, cofundador do podcast e morador da Rocinha. Foto: Acervo Pessoal / Reprodução

Estudo realizado pela plataforma CupomValido.com.br, com dados da Statista e IBOPE, mostra que o Brasil é o 3º país que mais consome podcast no mundo, com mais de 30 milhões de ouvintes, ficando atrás apenas da Suécia e Irlanda. 

Segundo a pesquisa, mais de 40% dos brasileiros escutaram podcast pelo menos uma vez nos últimos 12 meses. Já a Suécia, 1ª colocada no ranking, tem uma taxa de 47%, enquanto Japão, Taiwan, Malásia e Paquistão, são os países que menos escutam podcast, tendo uma taxa aproximadamente 5%.

O estudo ainda revela que o Spotify lidera 25% do mercado, deixando a Apple Podcasts em segunda posição com 20% e o Google Podcasts, com 16%, em terceiro. É por isso que, ter um podcast que fala sobre a favela e para a favela é não só importante, mas também representatividade. 

Lavar a louça ouvindo comentários sobre as notícias da semana, entrar em carro de aplicativo escutando uma entrevista do artista que gosta ou ir para o trabalho ouvindo histórias do morro, já fazem parte do dia a dia dos moradores da Rocinha.  

O Rocinhacast  já contou com a presença de atletas como o jogador de futebol Victor Simões e até do cantor Branco do grupo de pagode Clareou. O clima do podcast é marcante pela conversa distraída que pauta diversos temas de quem vive e do que se passa no dia a dia da favela. 

Pelos Becos e ruas 

O Rocinhacast já acumula mais de 2 mil visualizações. Pode parecer pouco, mas vale lembrar que o podcast foi lançado dia 31 de outubro e, até o momento, tem apenas quatro episódios publicados, com média de 500 visualizações cada um. O podcast já mostra ser um fenômeno, pois já conquistou ouvintes no morro pelas ruas e becos da Rocinha.

“É muito bom e estranho ao mesmo tempo ver a galera na rua falando comigo e elogiando. É muito engraçado. Tem pessoas que nunca nem vi e conversei, mas vem falar sobre algum episódio. Isso sem falar nos comentários que recebemos no Instagram e que me divirto muito. É bom ver uma ideia tomando forma e crescendo rápido, isso só me dá mais gás para continuar nessa pegada”, conta Germano.

De acordo com dados da Statista, o brasileiro passa, em média, uma hora diária ouvindo podcast. Em junho deste ano, 66% dos brasileiros disseram ouvir podcasts para finalidades de informação, enquanto 49% escutam para entretenimento e 32%, com objetivo de acessar educação sobre os mais variados temas. O podcast já é um substituto da televisão ou rádio usado pelos brasileiros para acessar informações de outros meios que exerciam essa função anteriormente. 

No total, o Dicionário de Favelas Marielle Franco, já registra 13 podcasts de favelas em atividades, além de dois episódios avulsos, com temas diversos como cultura, educação, saúde e política. Mas, nenhum podcast em vídeo como o Rocinhacast realizado por Igor e Ruan.

O Rocinhacast é, portanto, pioneiro no segmento de podcast de favela em vídeo para comunicar sobre o morro de crias para crias. O sonho dos fundadores é expandir cada vez mais e poder contar boas histórias sobre a Rocinha.  

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