Sem energia regular, Ciep Ayrton Senna faz ‘gambiarra’ para manter aulas com alunos na Rocinha

Sistema elétrico está comprometido após incêndio em janeiro; estudantes denunciam abandono e falta de manutenção no estabelecimento de ensino

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Sem luz e com o sistema elétrico funcionando de forma improvisada, o CIEP 303 Ayrton Senna da Silva, na Rocinha, tem realizado aulas no pátio da escola para tentar manter as atividades. Cerca de 40 turmas e aproximadamente 1.120 alunos estão sendo impactados pela falta de manutenção na unidade.

Cartaz pendurado no pátio da escola diz: “No escuro não dá para escrever o futuro”. Foto: Arquivo dos alunos

“Eu estou desmotivada, e minha filha também. Não quero ficar indo para a escola para ter aula no pátio, barulhento, sem ventilação e sem quadro. Estou indo porque sei que não posso desistir, já estou quase terminando”, relata Erica Ferreira, de 40 anos, aluna do Núcleo de Educação de Jovens e Adultos (NEJA) e mãe de uma estudante da unidade.

Com horário reduzido, sem ventilação adequada, sem abastecimento regular de água e servindo apenas lanche e jantar, a escola enfrenta o que estudantes e professores classificam como uma situação de calamidade e risco de incêndio.

Segundo relatos de pessoas que preferiram não se identificar, a falha elétrica teve início após um incêndio em uma sala de equipamentos em janeiro deste ano. No entanto, os problemas estruturais da escola não são recentes. A falta de manutenção vem sendo denunciada há anos pela comunidade escolar.

“Parece que o Governo do Estado está esperando a unidade se desmantelar para depois decidir o que fazer com o prédio. É como uma mão invisível que a gente não vê, mas sente e que vai piorando a situação cada vez mais. A estrutura está abandonada pela Secretaria de Educação há anos e somos cobrados para que tudo funcione normalmente, como se a escola estivesse em plenas condições”, relata uma fonte ligada à escola, que não quis se identificar.

O CIEP Ayrton Senna é a única escola estadual de ensino médio da Rocinha. Diante da situação, professores e alunos vêm se mobilizando para organizar protestos e chamar a atenção da comunidade e da Secretaria de Educação para a urgência de obras estruturais no estabelecimento de ensino.

“A infraestrutura não tem condições de uso, só pintar paredes não resolve o problema. Eu queria sentir orgulho de dizer que estudei aqui. Espero que tudo se resolva logo, porque muitos jovens e adultos dependem dessa escola para transformar seus futuros”, desabafa Aparecida Costa, de 52 anos, aluna e moradora da Muzema.  

Nas redes sociais, a mobilização também está forte e conta com influenciadores e moradores, que estão se posicionando em nome da educação e denunciando o descaso com o equipamento público que atende tantos jovens e adultos da favela. 

“A educação é o que promove a igualdade, para que a gente possa lutar pelo nosso futuro e nossos ideais. Nossos estudantes estão nos últimos anos do ensino e a educação promove isso e então peço para estar nessa luta com a gente”, enfatizou, nos stories, Paula Montinny, de 44 anos, moradora da Rocinha.

Professores e moradores se mobilizam na Rocinha para distribuir panfletos denunciando a falta de manutenção na escola. Foto: Gilliard Barreto]

Neste sábado (28), será realizada uma reunião entre responsáveis, alunos e professores para prestar esclarecimentos e organizar a mobilização por melhorias na unidade. Moradores e educadores já circulam pela Rocinha distribuindo panfletos para ampliar a participação da comunidade no movimento.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Educação informou que “as unidades foram vistoriadas e que a verba está sendo liberada para que os reparos sejam realizados o mais breve possível. Vale ressaltar que as escolas possuem autonomia administrativa e estão sendo orientadas a fazer essa reposição.”

A Secretaria afirmou também que “todas as unidades permanecem abertas e em funcionamento, adotando estratégias pedagógicas específicas de acordo com a realidade de cada escola, e garantiu que os conteúdos perdidos serão repostos.”

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