Semanalmente um grupo de rapazes vestidos de blusa verde são vistos percorrendo pontos estratégicos da Estrada da Gávea para desafogar o trânsito caótico no interior da Rocinha e organizar a travessia de pedestres. Sem eles, é cada um por si. 

Chamados de controladores de trânsito, 7 rapazes são remunerados por comerciantes locais, também afetados com a desorganização do trânsito. Mesmo sem um curso preparatório, os agentes de trânsito locais são conhecidos e conhecem a dinâmica de tráfego do morro.

O morador Edson Martins, 34 anos, já foi mototaxista e entende a dificuldade de circulação. “Eu trabalhei como educador de trânsito antes da pandemia, fiquei um ano e cinco meses, fico feliz que agora voltamos. Mesmo com uma equipe menor, precisamos organizar a Estrada da Gávea porque tem muito veículo que atrapalha e o morador quer circular”, explica Martins.

Edson Martins desce e sobe o morro com sua motocicleta para alertar motoristas que param em locais nas curvas da Estrada da Gávea. (Foto: Osvaldo Lopes/Fala Roça)

A Rocinha precisa de no mínimo de 15 educadores de trânsito devido o seu tamanho e a intensidade de tráfego para cobrir cerca de 6km da principal via que corta a favela. Sem pontos fixos, os agentes de trânsito estão em constante movimentação na estrada.

“A nossa escala de trabalho é de 6h às 8h da manhã, segundo horário é de 11h até 14h e o último é de 16h até 19h. Nesses horários estamos sempre nos pontos mais críticos do morro, como em frente ao escadão da Vila Verde, Curva do S, Rua 2, Dionéia por causa da movimentação na entrada e saída do colégio e sempre que dá ainda fica um próximo a entrada da Via Ápia.”, conta Edson Martins.

Há dois meses sem gestor executivo local, não há como contar com o apoio da prefeitura no reordenamento do tráfego no morro. A Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro (CET-Rio) não possui um planejamento para atuar em favelas, mesmo a Rocinha sendo reconhecida como um bairro desde 1993.

Sem fiscalização, veículos estacionam em lugares proibidos a qualquer hora do dia e dificulta ainda mais o ir e vir da população. 

“O morro tem uma quantidade grande de mototáxi. As vans precisam pegar os passageiros, tem muito ônibus escolar, mas sem dúvida os cavaletes para carga e descargas, os carros estacionados na Estrada da Gávea também atrapalham muito.”.

Atualmente duas linhas de ônibus passam pelo interior da Rocinha. A 538 está circulando com 9 veículos, quando deveria ter 15 em operação, e a 539 opera com 7 veículos, em vez de 14, de acordo com a Secretaria Municipal de Transportes. Além dos ônibus, há duas linhas de vans STPL (2101 e 2102) que atendem o bairro. Estima-se que 2 mil motocicletas circulam diariamente pela Rocinha.

O Rio de Janeiro é a segunda cidade no ranking brasileiro dos congestionamentos, aponta a empresa de tecnologia de navegação TomTom com dados de 2020. Segundo o índice, as pessoas costumam perder 82 horas por ano no trânsito do Rio.

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