
Uma caixa de valor inestimável
Por meio das fotos, é possível perceber detalhes do passado quase esquecido: as festas de aniversário, os natais em família, os passeios de domingo.
Em cima do guarda-roupa, coberta de poeira e à espera de ser aberta para reviver algum momento do passado, está a minha caixa de fotografias antigas. Nela, tem de tudo. E, às vezes, é o único lugar onde se pode ver, de forma concreta, a própria árvore genealógica.
Por meio das fotos, é possível perceber detalhes do passado quase esquecido: as festas de aniversário, os natais em família, os passeios de domingo, as comemorações marcantes como a primeira comunhão ou a formatura.

É nessa caixa que reencontro fragmentos da infância, as fantasias engraçadas com um boné ou óculos emprestado, o olhar tímido, o sorriso provocado por alguém atrás da câmera, algum parente tentando me fazer rir. Também é nela que posso rever o sorriso da minha avó, que já se foi, ou os rostos do meu pai, do meu tio e dos primos que a vida levou.
A saudade aperta quando abro a caixa, mas junto vem a gratidão por ter vivido e amado tantas pessoas que agora moram apenas nessas lembranças. Hoje, quase ninguém alimenta mais essas caixas. As fotos foram parar nas “nuvens”: do Instagram, do Facebook, dos grupos de família no WhatsApp. E, com elas, a materialidade e o ritual de guardar memórias se perdem aos poucos.
Mas eu me considero sortuda por ainda cultivar esse hábito. As fotografias são as memórias da minha família. Quero continuar alimentando essa caixa, para que os meus futuros filhos, netos, quem vier depois possam abri-la com o mesmo cuidado e curiosidade que eu. Que possam reconhecer rostos, descobrir semelhanças, decifrar letras rabiscadas no verso das fotos, e, assim, conhecer um pouco das pessoas que construíram a história da família.
Essa caixa carrega o meu passado, o afeto e as memórias que me formam. E ainda tem muito espaço a ser preenchido. E você, há quanto tempo não alimenta a sua caixa de valor inestimável?





