O que vale mais: a dor que viraliza ou a história que transforma?

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Se estamos exaustos de consumir tragédias, porque seguimos premiando o jornalismo do caos com likes e compartilhamentos (enquanto a vida, a cultura e a resistência seguem à margem do “viral’)?

Ainda é estranho perceber como, em plena era das redes sociais, a régua do que é relevante continua sendo medida apenas por “o que é viral’.

É quase como se houvesse um manual invisível que ditasse: não importa a profundidade, a ética ou a transformação que a informação pode gerar (o que vale é o que mais rende cliques, likes e compartilhamentos). Mas será que esse modelo ainda se sustenta?

Se realmente estamos cansados de abrir as redes e ver um bombardeio diário de tragédias, operações policiais e tiroteios transmitidos em tempo real, por que seguimos alimentando essa cultura do ódio? Que lógica é essa que transforma o sofrimento em espetáculo e reduz o jornalismo à contagem de visualizações?

O viral, por si só, não pode ser o objetivo final. Jornalismo não é caça de engajamento: é compromisso com a verdade, com a vida e com o direito à informação. Viralizar pode até ser consequência, mas jamais deveria ser o ponto de partida.

Talvez a pergunta que reste é: até quando vamos aceitar que a métrica da dor continue sendo a principal moeda de troca? Até quando vamos confundir relevância com barulho?

Porque informar não é somente registrar o desastre. É também projetar o futuro, contar história de resistência, registrar culturas vivas. E isso, sim, deveria ser o viraliza. 

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