Profissões relacionadas à tecnologia brilham os olhos de muita gente. O setor está em expansão, gera muitos empregos mas ainda são cargos inacessíveis para grande parte da população. Felipe de Jesus, de 28 anos, começou a trabalhar recentemente na área. Nascido e criado na Rocinha, Jesus é uma figura conhecida de quem costuma comprar jornal em uma banca na Gávea. Antes de virar programador, Jesus trabalhou como jornaleiro por 8 anos.

“Resolvi sair da banca bem antes da pandemia. Estava tudo bem com o meu trabalho, mas eu sempre tive vontade de estudar e trabalhar com tecnologia”, conta Felipe, que adora tecnologia e decidiu investir na área por causa da popularidade de aplicativos que nos permitem fazer muitas coisas com um smartphone como pagar contas, pesquisar um endereço, ouvir músicas. “Eu pensei que talvez fosse a hora certa pra me dedicar a isso. Na pandemia o mercado digital deu uma estagnada rápida e depois voltou a crescer muito, já que durante o distanciamento social foi percebido cada vez mais a vantagem de digitalizar os negócios.”

Felipe Jesus está trabalhando em casa por causa da pandemia. Foto: Arquivo pessoal

A oportunidade surgiu através da Resília, uma escola de tecnologia onde as pessoas interessadas não precisam de nenhum conhecimento prévio em programação, se formam e saem aptas para trabalhar na área em apenas seis meses. A startup atende jovens de 18 a 24 anos e já formou mais de 400 programadores para o mercado de trabalho. O curso não é gratuito mas os alunos só começam a pagar o depois que estão empregados e, durante os estudos, ainda podem ter o transporte custeado pela empresa. 

Atualmente, 70% dos jovens da Resília não possuem ensino superior, como é o caso de Felipe Jesus. 60% concluíram o ensino médio na rede pública e 40% na rede privada. 55% possuem até 25 anos. 35% são mulheres e 65% são negros. Segundo Bruno Cani, fundador da Resília, a meta em 2021 é formar 500 jovens e lançar um novo curso. “Queremos aumentar a participação das mulheres nos cursos, aumentar a participação de jovens até 25 anos e focar cada vez mais naqueles que concluíram o ensino médio na rede pública”, destaca Cani.

Desafios da nova profissão

Felipe Jesus se inscreveu no curso após um amigo compartilhar uma matéria do Fala Roça sobre a abertura de inscrições para novas turmas no ano passado. Ele se formou em abril de 2020 e, rapidamente, foi contratado por uma empresa de desenvolvimento de software para a área de logística.

“Estou [trabalhando] como desenvolvedor front-end júnior. Os colegas de trabalho são solícitos em tirar dúvidas e ajudar quando estou travado no raciocínio. Apesar da correria, tem dado pra aprender bastante coisa. Estou bem contente por estar trabalhando nessa área. É basicamente cumprir uma missão atrás da outra e ir aprendendo com elas.”, comemora Jesus.

No primeiro dia trabalhando no novo emprego, o programador passou por um perrengue. Um poste de energia elétrica foi danificado por uma sobrecarga na rede e ele não pôde trabalhar. Jesus, que está trabalhando de casa, avalia o acontecimento como uma casualidade do trabalho durante o isolamento social. “Faltar energia, cair a internet é comum. Comigo aconteceu pouco e espero que durante o verão continue estável. Todos os dias alguém da empresa está sem luz ou sem internet, entretanto, os horários são bem flexíveis e posso repor as horas perdidas”, avalia o programador.

Futuro dos empregos

A mudança de profissão de Felipe Jesus chama a atenção para um relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial no qual prevê que, até 2025, 97 milhões de empregos surgirão em áreas como cuidados com saúde, tecnologias da quarta revolução industrial e criação de conteúdo. É onde o programador de sistemas se encaixa nas mudanças que estão por vir.

Com a pandemia, o setor de Tecnologia da Informação (TI) está ganhando ainda mais importância e valorização. Em 2020, segundo o Banco Nacional de Empregos, são 4.603 vagas disponíveis a mais do que em 2019. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), há 845 mil empregos no setor de Tecnologia da Informação no Brasil, e a demanda anual por novos talentos projetada até 2024 está em 70 mil profissionais.

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