“A nation called Rocinha”. Quando o vídeo começou a rodar no Youtube, percebemos que era o mesmo vídeo antológico que fez sucesso com os clientes da extinta locadora Astral Vídeo nos anos 90. “Uma nação chamada Rocinha”, título traduzido, é um dos mais completos acervos de imagens que se tem conhecimento sobre a maior favela durante os anos 80 e tem uma trilha sonora excitante.

Podemos assistir neste filme uma Rocinha bem menos estruturada, com muitos barracos de madeira, e rever pessoas que já se foram, ou simplesmente sumiram. O documentário é pautado em cima de comentários do velho Bahia, da Rua Um, como sempre, enérgico e polêmico, e fazendo uso de boné e óculos escuro.

O veterano, que venceu o duelo com os irmãos Pastor e Pastorzinho no bar do Nervosinho, se tornando uma lenda naquela época, revela: “Morar no morro não é malandragem. Morar no morro é sufoco e sofrimento.” – Palavra de quem conhece a fundo os primórdios da favela.

O documentário trás um registro de coisas bem características, como a Taberna do Primo Pobre, da subida da Dionéia, o antigo Joãosinho Bar perto da Curva da Rua Dois, que há anos virou casa de materiais de construção. E os orelhões da CETEL? Amarelos e de ficha.

Também aparecem no vídeo muitas crianças que são os adultos de hoje em dia, além de imagens de moleques andando de carrinho de rolimã e brincando de escorrego, coisas que praticamente não existem mais. É possível rever uma cena do Sr Zé (antigo vendedor dos doces Neuza), que dirigia aquela charanga quadrada que abastecia as biroscas do morro, e depois deu lugar a uma kombi adaptada.

Preservar a memória da Rocinha é preservar uma parte da história da cidade do Rio. O documentário “Uma nação chamada Rocinha” cumpre esse papel ao nos fazer viajar pelo tempo, com muita nostalgia, para uma Rocinha em ritmo frenético de desenvolvimento. Apesar de eu ter nascido nos anos 90, fico imaginando para quem nasceu antes disso e teve a oportunidade de rever pessoas que já se foram, ou simplesmente sumiram. Para quem nasceu na Rocinha, as imagens vão emocionar.

Michel Silva, editor do Fala Roça

Parece tão distante aquele emaranhado de barraquinhas de madeira que tinha ao redor do muro da garagem da TAU na Fundação. E como não poderia deixar de ser, logo na 1ª parte, também é possível voltar no tempo dos conflitos, das operações policiais, dos antigos camburões Veraneio da PM, dos trezoitões.

Imagens de muita tensão, como as da revolta dos moradores na Via Ápia, com Dona Elisa á frente e daquele Fiat 147 que teve o vidro estilhaçado por uma pedrada, cena que ganhou o mundo inteiro. O filme “Uma nação chamada Rocinha, das lavadeiras de tanques de concreto, do florista, dos barbeiros, dos artesãos; do cotidiano manso e trabalhador, do detalhe de um galo cantor, foi produzido pela FOCUS production presents, e tem a direção geral e musical de Gijs Andriessen, a narração de Eric Nepomuceno e a produção executiva de Sérgio Waismann.

Esse acervo que mostra a Bruna da Célia ainda criança, a Nazaré carteira, o Anã lanterneiro, moleques soltando pipa e brincando de polícia-ladrão, tem passagens valiosíssimas e românticas de nossa querida Rocinha. Vale a pena assistir. Boa viagem!


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