O Brasil foi palco de três grandes megaeventos nos últimos dez anos: Pan-americano, no Rio de Janeiro, em 2007, a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada no Rio neste ano. Segundo dados do Comitê Rio 2016, o custo para a realização da Olimpíada e da Paraolimpíada Rio 2016 ultrapassou os R$ 39 bilhões.

Turismo foi a área que mais se beneficiou na Olimpíada. (Foto: Michel Silva/Fala Roça)
Turismo foi a área que mais se beneficiou na Olimpíada. (Foto: Michel Silva/Fala Roça)

Nos últimos dez anos, a Prefeitura do Rio de Janeiro, o Governo do Estado e o Governo Federal investiram em mobilidade urbana, saneamento e segurança. Porém, podemos ver que a realidade de muitas favelas continua igual.

A ocupação policial das favelas foi a principal política de segurança adotada no Rio de Janeiro. Desde 2008, dezenas de favelas foram ocupadas visando a criação de um “cinturão de segurança” nas áreas ricas da cidade.

Antes da ocupação da Rocinha para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em 2011, a expectativa era de que a comunidade receberia várias obras do Governo Estadual e Federal. De fato as obras aconteceram.Mas a reivindicação mais antiga dos moradores não foi atendida: a implementação do saneamento básico.

A supervalorização dos imóveis e o aumento do custo de vida na favela ameaça o dia a dia das pessoas que vivem na Rocinha.

O Governo do Estado concluiu as obras da linha 4 do metrô e construiu uma estação na entrada do morro, entretanto, batizada com o nome de São Conrado, bairro vizinho à Rocinha.

Cinquenta dias antes da Olimpíada, o governador em exercício Francisco Dornelles (PP), decretou estado de calamidade pública, chamando a atenção para a grave crise econômica em que vive o Estado.

A queda na arrecadação dos impostos sobre mercadorias e a má gestão das finanças estaduais são alguns fatores responsáveis pelo rombo de R$ 19 bilhões nas contas públicas.

Diante desse cenário, fomos às ruas para saber o que os moradores acham que vai acontecer após a Olimpíada na cidade do Rio, na Rocinha e em suas vidas. Entrevistamos pessoas de diferentes localidades, com idades e profissões diversas.

Os relatos abaixo são apenas uma pequena amostra de tudo o que ouvimos, refletem o ponto de vista dos entrevistados e não necessariamente contemplam todas as opiniões das pessoas que moram na Rocinha.

Confira a opinião de alguns moradores:

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Maria do Socorro, 52 anos
“Acho que as mudanças na cidade vão trazer coisas boas para a gente, como o metrô e o BRT. Fica bem mais fácil para os trabalhadores se locomoverem. O lado ruim, aqui na Rocinha, por exemplo, é que, com a estação de metrô aqui na porta, o preço dos aluguéis estão aumentando bastante. Fica difícil pra gente pagar.”

 

 

 

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Carlos Clair, 49 anos
“Acredito que vai deixar um legado muito grande e bom para a cidade em função das obras que foram feitas. Na Rocinha pós-olimpíada, acredito também que vamos recolher muitos frutos por causa do turismo. Em relação à segurança, para mim está tudo bem.”

 

 

 

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Déo Alves, 22 anos
“Espero que o fluxo de turistas não diminua porque eles podem gerar receita para a cidade que enfrenta uma grave crise financeira. Também espero que a população possa usar essas obras que foram feitas para a Olimpíada.”

 

 

marcosbraz

 

Marcos Braz, 45 anos
“A Olimpíada foi feita para a classe média alta e para os estrangeiros. Muitos estádios olímpicos serão abandonados ou privatizados. A Rocinha precisa de saneamento básico há décadas e isso nunca é solucionado. Com certeza não estávamos prontos para esse grande evento.”

 

 

 

 

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Clara Rodrigues, 33 anos
“Eu espero que a Olimpíada deixe várias coisas boas para o Rio. Agora temos a extensão do metrô até a Barra e o VLT. Além dos transportes públicos, na Rocinha, nada mudou porque o teleférico não saiu do papel e falta saneamento básico.”

 

 

 

 

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Ana Paula da Silva, 21 anos
“Assim que a Olimpíada acabar a segurança no Rio vai diminuir e tudo vai ser como era antes. Na Rocinha, vai continuar tudo igual. O transporte vai melhorar com o metrô e a UPP não vai acabar.”

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