Está cada vez mais difícil para as famílias manter o tradicional arroz com feijão, principalmente para as mais carentes. Os preços dos alimentos só sobem e os aumentos não são de hoje. A disparada dos preços influenciam tanto na quantidade quanto na qualidade dos alimentos que vão à mesa. Muitas famílias passaram a substituir alguns alimentos por outros ou pararam de consumir. 

“As vezes faço macarrão no lugar do arroz,  troco a carne vermelha pelo frango,  por ser mais barato, mesmo tendo aumentado”, conta a dona de casa Josiane Souza. E acrescenta: “Um tempo atrás, eu comprava por 10 reais a cartela com 30 ovos, hoje, pago perto dos 15 reais”.

A professora Liliane Brito é outra que sentiu a alta de preços no orçamento. “Antes dava para fazer a compra do mês comprando um pouco a mais para o próximo mês. Com a alta dos preços, compramos o essencial e olhe lá”. Para Liliane e Josiane, as carnes de modo geral, além do arroz, feijão e o óleo foram os itens da cesta básica que mais aumentaram. 

A professora Liliane também explica que “antes com 100 reais dava para ir ao hortifruti umas 3 vezes por mês, fazendo uma compra bem variada”, mas agora “com esse valor se faz para uma semana, no máximo duas semanas, comprando o que está na promoção”. 

Na tentativa de economizar, a dona de casa Josiane faz pesquisa de preços a procura dos mais baixos. “Com tudo custando mais caro, pesquiso e tento comprar onde está mais barato. Gasto muito mais hoje para comprar os mesmos produtos que comprava antes”, ressalta.

Mas qual é a explicação para a alta dos preços?

São diversos fatores. Um deles é a alta do dólar que faz os produtores priorizarem a exportação do que manter seus produtos no mercado interno, o que gera inflação.  O aumento no valor da energia elétrica e dos combustíveis também contribuem para a alta dos preços, pois fazem parte do sistema de armazenamento e distribuição dos alimentos.  

As famílias mais afetadas são as de baixa renda, que sentem o peso dos preços no bolso e sofrem por muitas vezes não conseguirem comprar o básico para a alimentação, levando a incerteza do que se terá à mesa no amanhã. Diante de tudo isto, fica a pergunta, como é possível com os valores atuais do salário mínimo e do auxílio emergencial (que está chegando ao fim), as famílias manterem uma alimentação minimamente adequada?

*Este texto foi produzido após a participação na Oficina de Comunicação Comunitária do Fala Roça, em 2021, em parceria com a Pró Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

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