Milhares de moradias na Rocinha possuem problemas estruturais que prejudicam a qualidade de vida dos moradores. O Governo do Rio, em parceria com a Uerj, lançou o projeto ‘Na Régua – Arquitetura acessível, moradia digna’, para melhorar a condição de habitabilidade de 15 mil famílias que vivem em áreas de vulnerabilidade social em 18 favelas no estado. O projeto é uma das vertentes do programa Casa da Gente e prevê um investimento de cerca de R$ 100 milhões até o fim de 2022. 

Na Rocinha, as áreas de atuação das equipes do Na Régua são Macega e Roupa Suja, escolhidas de acordo com o Índice de Desenvolvimento Social (IDS) do Instituto Pereira Passos.

Juntas, as localidades têm 821 domicílios, dos quais 621 já passaram pela etapa de entrevistas do primeiro censo de inadequação habitacional da história da Rocinha. Até o fim de janeiro, as equipes do projeto devem concluir a coleta de dados para, então, analisar quais famílias se enquadram nos critérios de adesão ao projeto.

Serão atendidas famílias que tenham renda de até três salários mínimos, possuam um único imóvel e residam há pelo menos três anos no local. Entre os critérios de priorização estão famílias que se encontram na faixa de vulnerabilidade extrema; chefiadas por mulheres; idosos; pessoas com deficiência; pessoas com doenças respiratórias crônicas ou de fácil disseminação. 

Pesquisadores já visitaram 621 moradias na Rocinha desde o lançamento do projeto. Foto: Thiago Loureiro

Segundo o subsecretário de Habitação, Allan Borges, o projeto pretende discutir com as famílias as melhorias que serão implementadas. “A ideia é elaborar propostas arquitetônicas práticas e criativas, de acordo com a especificidade de cada lar. Os serviços de adequação levarão em conta a salubridade, o reforço estrutural, o conforto ambiental e a adequação sanitária.”.

Através da cooperação técnica com a UERJ, jovens egressos do sistema de cotas, alunos de graduação e pós-graduação vão ganhar oportunidades para desenvolverem as habilidades e competências no projeto. As atividades vão desde o censo nas favelas até a instalação de escritórios de arquitetura e engenharia de família, que contará com assistentes sociais e demais técnicos. A expectativa da Secretaria de Infraestrutura e Obras é elaborar cerca de 10 mil projetos de reformas, que passarão pela participação e aprovação direta dos moradores.

Para o reitor da UERJ, Ricardo Lodi, a universidade pública precisa servir para melhorar a vida das pessoas. “A Uerj vem se constituindo como agência de políticas públicas no sentido de ampliar seu projeto de inclusão social. O ‘Na Régua’ busca reduzir as desigualdades sociais e aumentar os níveis de segurança sanitária das famílias. Defendemos que a ciência e o conhecimento científico sejam úteis para transformar a vida das pessoas”, declarou Lodi.

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