Surfista desde os dois anos, o atleta Jorge Gustavo Souza Rodrigues, conhecido como Gustavinho, de 18 anos, vem se destacando nos campeonatos de Bodyboard e conquistando lugar nos pódios a cada nova competição do esporte. Somente em 2023, já foram quatro pódios.

Em março, o cria da Rocinha garantiu o 3º lugar na Etapa de Verão do Circuito de Bodyboard no Recreio, Zona Oeste do Rio de Janeiro. No mês de junho, ele alcançou a 2ª posição na categoria sub-17 e ainda o  4º lugar na categoria amadora desse campeonato. 

Já em julho, Gustavinho garantiu conquistou o 2º lugar na categoria sub-18 masculino, no Circuito Saquarema Bodyboard Classic e, em setembro, no 5º lugar da segunda etapa do Circuito SGA Niterói Bodyboard.

Morador da localidade Rua 2, na Rocinha, Gustavinho sobe e desce diariamente as diversas vielas e becos para se deslocar até o “Cantão”, nome popular da parte esquerda da praia de São Conrado. “Não tem segredo para conquistar esses resultados. É só treinar, treinar e treinar. Se eu quero conquistar, tenho que treinar! O Bodyboard me deu muitas coisas e continua dando”, afirma o atleta.

Troféus conquistados por Jorge Gustavo, o Gustavinho da Rocinha. Fotos: Carlos Eduardo

Nos últimos anos, entre 2022 para 2023, ele decidiu focar profissionalmente no esporte e está sendo treinado pelo atleta profissional de Bodyboard Wanderley Junior, mais conhecido como Juninho, cria da Rocinha e filho do “Tio Ley”, fundador da Escolinha de Bodyboard da Rocinha.

Com 18 anos, o jovem tem uma rotina bastante cheia e concilia os estudos com o esporte diariamente. Gustavinho considera que essa agenda é o melhor caminho para atingir as metas dele. Para ele, todo esse esforço um dia resultará um dia na conquista do título de campeão brasileiro de Bodyboard, realizando o sonho de representar a Rocinha mundialmente, além de chegar a uma graduação na PUC. 

Tal pai, tal filho

Por incentivo e influência do pai, Gustavinho, desde os 2 anos, reforça o ditado popular: “filho de peixe, peixinho é.” Jorge Ricardo Souza dos Santos, conhecido como Kadinho e pai de Gustavinho, surfa há 25 anos. Para o pai, de 48 anos, o caminho de se tornar um atleta do esporte sempre foi um objetivo para o filho. 

“Eu sempre quis que ele praticasse esporte, porque esporte é vida. Fico muito feliz e orgulhoso em ver um garoto que lapidei com educação, disciplina e respeito tornando o sonho de ser esportista em realidade. Fiz de tudo para isso ser possível e isso é fruto dessas ações”, afirma Kadinho. 

Como atleta competidor, cria de favela e negro, Gustavinho se queixa sobre a ausência de outros atletas como ele nas competições, ressaltando que o surf de uma maneira geral ainda é um esporte muito elitizado.

“Não ver pessoas da mesma cor, do mesmo lugar que eu venho, em outras competições é difícil e triste. Estou lutando para que isso mude em breve. Não tem muitos negros e favelados no pódio. Então, para nós, todo o esforço é em dobro e somos obrigados a ser o melhor. Quero ver mais negros em competições de surf, independente da modalidade”, conta Jorge Gustavo. 

“Me sinto muito agradecido e feliz porque isso é fruto de um esforço não só meu, mas também do meu pai. Meu pai sempre está presente, sempre incentivando, sempre foi ele [quem] correu atrás [para] me ajudar. Se hoje estou viajando, competindo, surfando, estudando, fazendo o que amo e gosto todos os dias, é por conta dele também”, revela Gustavinho. 

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