A Superintendência da Zona Sul realizou na manhã desta sexta-feira (30/08), uma ação de ordenamento embaixo do viaduto da Autoestrada Lagoa-Barra, próximo do Camelódromo da Rocinha. Na operação, foram recolhidos tabuleiros de madeira, barracas, caixotes, estruturas de ferro, além de fogão, geladeira e outros materiais que estavam guardados embaixo do viaduto. Também foram apreendidas duas facas entre o material recolhido.

O viaduto fica próximo a um acesso ao metrô de São Conrado e ao Centro de Cidadania Rinaldo de Lamare, onde abriga serviços públicos e uma agência bancária.

Pedestres opinam sobre a ação

“Tá uma bagunça ali embaixo com várias pessoas vendendo coisas. Tem uma mulher que atravessa pra vender bolsas e você precisa andar desviando das coisas. Está fora de controle porque a maioria vende quinquilharia. Acho que devem organizar barraquinhas e ter uma quantidade de pessoas pra ficar lá, não do jeito que está hoje”, conta uma moradora da Rocinha que não quis se identificar.

Outra moradora da Rocinha que não quis se identificar, frequenta o Centro de Cidadania Rinaldo de Lamare toda a semana. “Já vi as pessoas que montavam tendas para vender as coisas ocupando metade da calçada e ameaçando crianças e o pessoal da campanha da saúde que vinham para vacinar eles”, diz ela lembrando que a Rocinha não tem suporte médico na rua para atender as pessoas em situação de rua no entorno do morro.

Desemprego e pessoas em situação de rua

Muitas pessoas usavam o espaço embaixo do viaduto e próximo a entrada do metrô para vender diversos objetos e comidas. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho, mostra que só em julho, quase 3 mil postos de trabalho foram extintos.

Além de vendedores, pessoas em situação de rua também usavam o espaço para acumular objetos e manter cachorros presos em cordas. A Prefeitura do Rio não possui um levantamento atualizado de pessoas em situação de rua no Rio. Dados da Defensoria Pública estimam que cerca de 15 mil pessoas vivam nas ruas da cidade. O município possui a segunda maior população em situação de rua no Brasil, superado apenas pela cidade de São Paulo.

Fotos: Superintendência Zona Sul

Segundo o superintendente da Zona Sul, Marcelo Maywald, novas ações contra a desordem no local deverão ser intensificadas. “É um ponto de grande circulação de moradores, que devido a ocupação irregular das calçadas, são obrigados a circular pelo meio da rua correndo sérios riscos”, afirmou Maywald.

Foram utilizados na operação três caminhões e um trator. Além de agentes da Superintendência da Zona Sul, a operação contou com a Guarda Municipal, Comlurb, Coordenadoria de Controle Urbano da Secretaria Municipal de Fazenda, policiais militares da UPP-Rocinha e do 23º BPM (Leblon).

Total
8
Shares

Assine nossa newsletter

Receba por e-mail informações sobre a maior favela do Brasil.

VOCÊ TAMBÉM PODERÁ GOSTAR

Moradores da Rocinha vencem 3ª edição do Festival Brasileiro de Nanometragem

Sob aplausos da platéia, o vídeo “Anjos não falam” venceu o 3º…

Fala Roça abre inscrições para a Primeira Oficina de Comunicação Comunitária

Estão abertas as inscrições para a Primeira Oficina de Comunicação Comunitária do…

Britânico cria escola de inglês gratuita na Rocinha

Seja a mudança que você quer ver no mundo. Inspirado no pensamento…

Fala Roça vence edital da Brazil Foundation

O Fala Roça é um dos ganhadores do “Prêmio de Inovação Comunitária…