Um desfile de mulheres no Instituto Moreira Salles foi uma das atividades que marcou os três anos do coletivo Mulheres em Evidência, criado por Graça Santos, em 2019. Conhecida como Gracinha, a iniciativa surgiu em São Paulo, mas ganhou força após uma visita à Rocinha, em 2020.

Ela decidiu trazer o projeto para o Rio, após conversar com algumas mulheres do morro — especialmente, moradoras da parte alta da Rocinha — em uma roda de conversa na Casa de Cultura da Rocinha, localizada na Rua 1. 

O desfile “Do Chão a Passarela: da vulnerabilidade à evidência” promoveu o empoderamento, autoestima e segurança emocional das mulheres que desfilaram com roupas confeccionadas por elas.

A partir daquele dia, o projeto passou a ter encontros mensais com a participação de mulheres da Rocinha em atividades recreativas e distribuição de cesta básica. Atualmente, o projeto beneficia 170 mulheres no morro. 

“Os encontros são muito bacanas, porque eu as deixo elas muito à vontade. Estou me preparando para palestrar. Quando chego aqui, eu vejo a necessidade delas dançarem, rirem e pular. Deixo elas fazerem o que elas querem e conversarem, porque é desses encontros que se criaram grandes amigas”, conta Gracinha.

Desfile para empoderar

“Foi uma conquista. Muita gente falou que nunca tinha entrado [em uma passarela]. É esse o avanço que o projeto está trazendo para as mulheres. Eu fico muito feliz, por essa homenagem que a gente faz”, afirma Graça Santos. 

E completa: “Aqui é para mostrar para todas as mulheres que elas podem tudo. Basta ter coragem, damos força para elas voltarem a estudar, trabalhar, se exercitar, melhorar de vida e criar laços de amizade com outras mulheres. Quero dar a elas a ajuda que eu já precisei um dia”, ressalta. 

Em 2022, com apoio do Instituto Niemeyer, o coletivo conseguiu fazer a 2ª edição do desfile, com DJ e apresentações de dança e premiações. Parte do evento foi realizada na Passarela da Rocinha com direito a sessão de fotos e tapete vermelho. “Independente de beleza, de idade, do seu porte físico, ali foi para mostrar que basta querer”, destaca a idealizadora do projeto.

Na ocasião, as Mulheres em Evidência da Rocinha também foram surpreendidas. Quatro delas ganharam um voo livre e quatro delas tiveram a oportunidade de saltar de asa delta.“Um momento tão especial para nós. Foi um sonho realizado”, postou Alessandra da Silva nas redes sociais. Ela foi uma das selecionadas para fazer o voo livre. 

Ações com poucos recursos

O objetivo do projeto Mulheres em Evidência é fortalecer as mulheres que participam do projeto com suporte psicológico em caso de separação, depressão ou de violência. O intuito é que o coletivo seja um espaço seguro para lidar com situações difíceis vivida por mulheres no cotidiano. Mas, também oferecer cursos profissionalizantes para incentivar a independência financeira e psicológica. 

Porém, tanto o atendimento psicológico quanto os cursos profissionalizantes, não estão funcionando devido à falta de verba para pagar profissionais para ministrar as atividades dos cursos profissionalizantes. O projeto Mulheres em Evidência ainda enfrenta outro problema: a Casa de Cultura da Rocinha, espaço onde acontece os encontros do coletivo, está passando por uma reforma. 

As obras do local são custeadas com ajuda financeira dos próprios frequentadores, uma vez que não há apoio público de órgãos públicos para as atividades que acontecem no espaço ou suporte para a reforma, mesmo diante do estado crítico de parte dos cômodos. 

A Casa de Cultura já abrigou atividades recreativas para crianças com aulas de teatro, capoeira, artes, entre outras, sendo um espaço bastante conhecido dos moradores da Rocinha. No entanto, a única parte que ainda consegue ser usada hoje é a laje da Casa de Cultura, local onde ocorrem os encontros do Coletivo Mulheres em Evidência.

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