Se o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) criasse um prêmio para as maiores favelas do país, certamente, a Rocinha seria tricampeã por ser a maior favela do Brasil. O censo identificou, até outubro de 2022, cerca de 25.742 domicílios, segundo informações preliminares do IBGE para o enfrentamento à Covid-19.  Por trás desses números a realidade é diferente.

Dados desatualizados ou informações que não condizem com a realidade da Rocinha são constantemente usados por autoridades governamentais. 

Em 2023, a Rocinha comemora o aniversário de 30 anos após ser considerada um bairro pela lei n° 1995 de 18 de junho de 1993. As discussões para a criação da Região Administrativa começaram em 1985, desvinculando-se dos bairros da Gávea, São Conrado, Lagoa e Vidigal.

Todas as grandes obras que foram feitas na Rocinha nos últimos 15 anos nasceram através da participação popular na construção do Plano Diretor de Desenvolvimento Sócio Espacial da Rocinha (2006 a 2008), coordenado pelo arquiteto Luiz Carlos Toledo. Ele recebeu do IAB-RJ o título de Arquiteto do Ano em 2009.

Uma das experiências mais bem sucedidas ocorreu com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado no segundo mandato do governo Lula, para investir em obras de urbanização das favelas do Brasil. A Rocinha viu algumas mudanças de infraestrutura. 

Lula voltou ao poder. O país pode tomar um novo rumo de união e reconstrução nos próximos anos. O governador Cláudio Castro já se movimentou dando sinais de que a relação com o governo federal será produtiva. O prefeito Eduardo Paes também tem a oportunidade de obter recursos para investimentos na cidade.

Cada real investido em saneamento básico gera uma economia de R$ 4 em gastos em saúde, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Os investimentos em saneamento básico representam melhorias diretas à saúde da população. As obras feitas na localidade Rua 4 para abertura de uma nova rua é um exemplo na redução de casos de tuberculose.

Uma década depois, dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio apontam que a Rocinha continua tendo uma das maiores taxas de incidência de casos de tuberculose do estado do Rio de Janeiro, além de uma das maiores do país.

Está tudo mastigado há 15 anos. O Plano Diretor da Rocinha é a receita para transformar a Rocinha e mostrar que é possível urbanizar a favela com a colaboração de moradores, lideranças comunitárias e os governantes.

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